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quarta-feira, setembro 16, 2026

Imagens raras revelam cotidiano enigmático de povo isolado na Amazônia

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Um conjunto inédito de imagens registradas em fevereiro de 2024 trouxe à tona novos fragmentos da existência de um povo indígena isolado que vive em uma área remota de Rondônia, na Terra Indígena Massaco. A captura das cenas, feita por câmeras automáticas instaladas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), alimenta o mistério sobre um grupo que jamais estabeleceu contato com a sociedade não indígena.

Os registros mostram nove homens caminhando pela mata densa, num território que faz fronteira com a Bolívia e foi o primeiro do país demarcado exclusivamente para abrigar povos que vivem em isolamento voluntário. Por essa razão, o nome “Massaco” — uma referência ao rio que atravessa a região — é o único dado conhecido sobre o grupo. Como não há interação direta, o modo como se identificam entre si permanece um enigma.

As primeiras evidências da presença desse povo surgiram em 1988, quando servidores da Funai encontraram rastros, trilhas e vestígios de caça e coleta. A partir dessas observações, estimou-se uma população entre 220 e 270 indivíduos. Desde então, a política de proteção sem contato — adotada após os impactos negativos de interações forçadas, como doenças e conflitos — tem norteado a atuação do órgão.

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Entre os aspectos mais impressionantes das novas imagens estão o uso de flechas com mais de três metros de comprimento e a presença de armadilhas chamadas “estrepes” — finas lascas de madeira afiadas escondidas no solo para perfurar pés ou pneus. Esse tipo de defesa, segundo relatos da década de 1990, chegou a danificar veículos da Funai e até máquinas de madeireiros.

Além das fotografias, os especialistas também vêm monitorando o território por satélite, tentando entender os padrões de deslocamento do grupo. As mudanças sazonais do clima e da vegetação influenciam diretamente na movimentação do povo Massaco, que mantém uma vida nômade adaptada à floresta.

Para proteger os limites da reserva e evitar que o grupo busque ferramentas fora da mata, a Funai deixou facões e machados em trilhas próximas às câmeras. Os indígenas recolheram os objetos, mas evitaram contato direto com os equipamentos de monitoramento.

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Segundo o indigenista Altair Algayer, responsável pela região, há similaridades entre os Massaco e o povo Sirionó, que vive do outro lado do rio Guaporé, em território boliviano. Mas, apesar das semelhanças, a identidade dos Massaco segue envolta em silêncio — o mesmo silêncio com que cruzam a floresta, deixando rastros, armadilhas e um rastro de perguntas sem resposta.

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