O que começou como uma tentativa de marcha organizada por extremistas de direita acabou em confrontos generalizados, bloqueios e dezenas de prisões neste sábado (22) em Berlim. A manifestação, que pretendia percorrer cerca de sete quilômetros pelo distrito de Friedrichshain, foi praticamente impedida de avançar por conta da forte presença de grupos antifascistas que organizaram manifestações paralelas.
Segundo autoridades locais, mais de 860 simpatizantes da extrema direita, incluindo neonazistas, compareceram ao ato, que foi convocado por Ferhat Sentürk, ex-integrante do partido Alternativa para a Alemanha (AfD). O evento, sob o lema “Pela Lei e pela Ordem”, visava denunciar o que os organizadores chamaram de violência política promovida por grupos de esquerda.
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No entanto, antes que pudessem iniciar a caminhada, os manifestantes se depararam com uma série de barreiras humanas formadas por ao menos dez grupos contrários, reunindo cerca de 2 mil pessoas. Os bloqueios impossibilitaram a marcha, que, após horas de tensão, avançou por apenas 100 metros antes de ser oficialmente encerrada.
A polícia de Berlim mobilizou um efetivo de 1.600 agentes, com reforços vindos da Baviera e de Bremen, para conter os ânimos exaltados de ambos os lados. Ao longo do dia, confrontos e incidentes foram registrados. Integrantes da marcha neonazista foram presos por uso de símbolos proibidos e por desrespeitarem a proibição do uso de máscaras. Também foram relatados cânticos relacionados ao regime nazista por parte de alguns participantes.
Do lado oposto, militantes de esquerda também protagonizaram atos de violência, tentando romper cordões policiais e atirando objetos contra os agentes. A polícia respondeu com spray de pimenta e reforço das barreiras de contenção.
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No total, 90 pessoas foram presas. O balanço divulgado pelas autoridades indica que 41 dos detidos estavam envolvidos em delitos ligados à ideologia de extrema direita, enquanto 31 responderão por infrações relacionadas a grupos de esquerda. Entre os crimes estão lesões corporais, resistência à prisão, uso de símbolos ilegais e danos ao patrimônio. Dezenove policiais ficaram feridos durante os confrontos.
Este foi o terceiro protesto de caráter neonazista na capital alemã desde o fim de 2023. Nos dois atos anteriores, realizados em dezembro e fevereiro, os extremistas também foram impedidos de seguir suas rotas por ações de contramanifestantes, sinalizando o aumento da tensão entre grupos políticos antagônicos nas ruas de Berlim.
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