A fila de espera por um transplante de rim no Brasil tem crescido de forma alarmante. Dos mais de 45 mil pacientes que aguardam por um órgão no país, cerca de 42 mil precisam de um rim compatível. Apesar de ser um órgão duplicado no corpo humano e passível de doação em vida, a quantidade de transplantes realizados ainda não supre a demanda.
O avanço da doença renal crônica é um dos principais fatores para esse aumento. Dados indicam que o número de casos subiu 57,6% desde 2014, fazendo com que mais de 155 mil brasileiros dependam atualmente da hemodiálise para sobreviver. O tratamento, realizado em clínicas especializadas, pode impactar significativamente a rotina dos pacientes, que precisam comparecer ao local três vezes por semana para sessões de várias horas.
Embora o Brasil tenha avançado na realização de transplantes, a falta de doadores compatíveis continua sendo um grande obstáculo. Em 2024, foram realizados cerca de 6,3 mil transplantes renais, um recorde, mas que ainda não representa um avanço significativo diante da longa fila de espera.
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A maior parte dos transplantes ocorre a partir de doadores falecidos, já que a doação em vida é restrita a parentes de primeiro e segundo grau, como pais, irmãos, filhos e avós. Mesmo entre esses grupos, a compatibilidade nem sempre é garantida, dificultando ainda mais o acesso ao procedimento.
Para o motorista Wagner Ganzaroli, de 53 anos, a espera pelo transplante tem sido marcada por desafios diários. Diagnosticado com rins policísticos, uma condição genética, ele faz hemodiálise três vezes por semana há um ano. A descoberta da doença veio de forma inesperada, quando ele tentou doar um rim para sua mãe, que também sofre da mesma enfermidade.
“Estar preso à máquina é difícil. O transplante representaria uma liberdade. A espera, no entanto, é longa e cheia de incertezas”, afirma Wagner.
Enquanto aguarda por um novo rim, o professor Camilo Lopes, de 39 anos, recorre à diálise peritoneal, um método menos invasivo que pode ser realizado em casa. O procedimento permite maior autonomia ao paciente, evitando deslocamentos frequentes para clínicas especializadas.
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No entanto, essa alternativa ainda é pouco explorada no Brasil. Dados da Federação Nacional das Associações de Pacientes Renais e Transplantados (Fenapar) indicam que apenas 3,4% dos pacientes utilizam essa modalidade, um número que poderia ser dez vezes maior caso o tratamento fosse mais difundido e incentivado.
Especialistas reforçam que, embora a diálise seja essencial para a sobrevivência dos pacientes renais, o transplante continua sendo a melhor alternativa para melhorar a qualidade de vida e aumentar a expectativa de vida. No entanto, a escassez de órgãos e a baixa taxa de doação ainda representam desafios que o país precisa enfrentar para reduzir a longa fila de espera.
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