O consumidor brasileiro deve se preparar para preços mais altos nos ovos de Páscoa este ano. A valorização do cacau, que acumulou uma alta de 189% nos últimos 12 meses e chegou a atingir picos de 300%, deve encarecer os produtos no varejo. A previsão foi feita pela Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia), que atribui o aumento à redução na oferta global do insumo devido a fatores climáticos e sanitários que afetam as lavouras africanas, principal região produtora do mundo.
Segundo João Dornellas, presidente executivo da Abia, embora nem todo o impacto seja diretamente repassado ao consumidor, o setor precisará reajustar os preços para lidar com a elevação dos custos. “As empresas buscam eficiência produtiva com investimentos em automação, mas a alta dos insumos inevitavelmente reflete no mercado. Cada fabricante definirá sua própria estratégia de precificação”, explicou.
Diante do cenário de elevação de preços, a Abia apresentou ao governo federal uma série de sugestões para mitigar os impactos na cadeia produtiva. Entre as medidas propostas estão investimentos na infraestrutura de transporte e a redução de tarifas sobre materiais de embalagem importados, fatores que podem ajudar a conter os custos operacionais da indústria alimentícia.
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Dornellas destacou que, apesar dos desafios econômicos, o setor mantém um forte compromisso com investimentos no país. Apenas em 2023, foram aplicados R$ 40 bilhões em modernização e expansão das operações, somando um total de R$ 74,7 bilhões entre 2023 e 2024, o que representa mais de 62% da meta de R$ 120 bilhões prevista até 2026.
O executivo ainda reforçou que a taxa de juros elevada impacta os investimentos, mas não deve impedir que o setor alcance – e até supere – o montante projetado. “Se os juros fossem mais baixos, os aportes poderiam ser ainda maiores, mas seguimos confiantes na meta estabelecida”, afirmou.
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Com a proximidade da Páscoa, a indústria segue monitorando os custos para equilibrar os preços no mercado, enquanto consumidores e comerciantes já começam a sentir os reflexos da alta do cacau nas prateleiras.



