Um médico canadense viveu uma situação inusitada e, ao mesmo tempo, preocupante: ao atender um paciente com sintomas de infarto, percebeu que estava passando pelo mesmo quadro clínico. O caso ocorreu no Timmins and District Hospital, que aproveitou o “mês do coração”, em fevereiro, para divulgar a história e alertar sobre a importância da atenção aos sinais de doenças cardiovasculares.
O Dr. Chris Loreto vinha sentindo dores recorrentes após exercícios, mas associou o desconforto a problemas gastrointestinais, tratando-se com medicamentos para refluxo. No entanto, os sintomas persistiram. Em 12 de novembro, durante um jogo de hóquei, ele voltou a sentir dores nos ombros, mas não deu a devida atenção ao problema e continuou com sua rotina.
No dia seguinte, ao atender um paciente que estava sofrendo um infarto grave, ele notou a semelhança entre os sintomas descritos pelo homem e os que ele próprio vinha experimentando. A coincidência acendeu um alerta e levou o médico a realizar exames, que confirmaram o diagnóstico de infarto. Desde então, ele está afastado para tratamento e recuperação.
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Em comunicado, o chefe do departamento de emergência do hospital destacou que médicos costumam dar prioridade aos pacientes e muitas vezes ignoram seus próprios sintomas. “Somos excelentes em cuidar dos outros, mas péssimos em cuidar de nós mesmos”, afirmou.
O Dr. Loreto reforçou que a profissão o leva a colocar as necessidades dos pacientes à frente das suas próprias. “Temos essa sensação de que somos insubstituíveis, mas ignorar sinais pode ter consequências graves”, alertou.
Sinais de infarto que não podem ser ignorados
Os sintomas de um infarto podem variar, mas alguns sinais clássicos incluem:
- Dor ou pressão no peito, que pode se espalhar para ombros, braços, costas, pescoço ou mandíbula;
- Sensção de aperto ou queimação no tórax;
- Falta de ar, mesmo sem esforço físico;
- Suor excessivo, tontura ou sensação de desmaio;
- Desconforto estomacal, frequentemente confundido com azia ou refluxo.
Ao sentir qualquer um desses sintomas, buscar ajuda médica imediatamente é essencial para minimizar danos ao coração e aumentar as chances de recuperação.
O infarto do miocárdio ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do coração é bloqueado, geralmente por um coágulo que se forma em uma artéria estreitada por placas de gordura. Sem oxigênio, as células do músculo cardíaco começam a morrer rapidamente.
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Fatores como aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias) aumentam o risco. Quando uma dessas placas se rompe, o organismo tenta repará-la formando um coágulo, que pode bloquear totalmente a passagem do sangue. Se não tratado rapidamente, o infarto pode levar a complicações graves, como insuficiência cardíaca e arritmias fatais.
O tratamento emergencial pode envolver o uso de medicamentos para dissolver o coágulo ou procedimentos como angioplastia, que reabre a artéria obstruída e pode incluir a colocação de stents para manter o fluxo sanguíneo adequado.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a principal causa de mortes no país. Anualmente, ocorrem entre 300 mil e 400 mil casos, e a cada cinco a sete infartos, um resulta em óbito.
Diante desse cenário, a conscientização sobre os sinais de alerta e a rapidez no atendimento são fundamentais. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, menores são os danos ao coração e maiores são as chances de recuperação total.



