Diante da possibilidade real de condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam estratégias para garantir sua liberdade no futuro. Entre as alternativas discutidas, está a possibilidade de condicionar o apoio político de Bolsonaro a um candidato da direita em 2026 em troca da concessão de um indulto presidencial, conhecido no direito brasileiro como “graça”.
Esse benefício, que extingue a pena de um condenado por meio de decreto presidencial, já foi utilizado por Bolsonaro em 2022 para livrar o ex-deputado Daniel Silveira da prisão. No entanto, o STF anulou a medida sob a justificativa de que o perdão não pode ser concedido com base em afinidade política, mas sim dentro dos princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade administrativa.
Diante desse cenário, uma eventual negociação política dependeria do resultado das eleições de 2026. Caso Bolsonaro ou seu indicado não avancem para o segundo turno, o ex-presidente poderia usar seu capital eleitoral para apoiar um candidato aliado que, uma vez eleito, poderia conceder-lhe a “graça”. No entanto, essa estratégia traz riscos, já que o STF pode considerar a medida inconstitucional e um novo governo poderia enfrentar desgaste político ao tentar beneficiar um aliado de forma direta.
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Outro caminho analisado é a aprovação de uma anistia pelo Congresso Nacional. Diferente da “graça”, que depende exclusivamente do presidente da República, a anistia requer aprovação parlamentar e pode ser articulada diretamente com partidos políticos. Dessa forma, o perdão judicial poderia ser uma moeda de troca na disputa presidencial de 2026, caso Bolsonaro decida apoiar um candidato que tenha força para garantir a tramitação do projeto no Legislativo.
Com o julgamento no STF se aproximando, Bolsonaro e seus aliados correm contra o tempo para evitar que ele passe os próximos anos atrás das grades. O futuro do ex-presidente, no entanto, dependerá do cenário político e das decisões que serão tomadas nos próximos meses.



