Entre as muitas peculiaridades do reino animal, os vombates se destacam por uma característica única: suas fezes em formato de cubo. Nativos da Austrália, esses marsupiais peludos e robustos intrigam cientistas há anos devido a esse fenômeno incomum, que só recentemente começou a ser explicado pela ciência.
Os vombates são animais de hábitos noturnos e vivem em tocas subterrâneas que cavam com suas garras afiadas e dentes de crescimento contínuo. Pequenos e resistentes, podem medir até um metro de comprimento e pesar até 35 quilos. Assim como outros marsupiais, carregam seus filhotes em uma bolsa – mas, ao contrário de cangurus e coalas, o marsúpio dos vombates fica voltado para trás, o que impede que a terra entre enquanto cavam.
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Apesar da aparência inofensiva, são animais territorialistas e podem reagir agressivamente a ameaças. Na natureza, seus principais predadores são dingos e diabos-da-tasmânia, e há indícios de que o extinto tilacino também os caçava.
Por décadas, cientistas tentaram entender por que os vombates produzem fezes com formato tão peculiar. Diferente da maioria dos mamíferos, cujas fezes são arredondadas ou cilíndricas, esses marsupiais defecam até 100 pequenos cubos por noite.
Uma das hipóteses para esse formato está na necessidade de sobrevivência em ambientes áridos. Com um metabolismo extremamente lento – levando até 14 dias para completar a digestão –, os vombates absorvem ao máximo a umidade dos alimentos, resultando em fezes mais secas e firmes.
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Em 2018, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia analisaram a estrutura intestinal desses animais e identificaram um detalhe surpreendente: seus intestinos possuem regiões com elasticidade diferente. Enquanto a maioria dos mamíferos tem um órgão uniforme, os vombates apresentam áreas mais flexíveis e outras mais rígidas, o que gera contrações irregulares que moldam as fezes em cubos.
Curiosamente, vombates em cativeiro – onde têm acesso a mais água – produzem fezes menos cúbicas, reforçando a ideia de que a desidratação influencia no formato.
Apesar dessa descoberta, ainda há questionamentos sobre como exatamente o intestino consegue criar esse efeito geométrico. A pesquisa segue em andamento, mas uma coisa é certa: os vombates continuam fascinando a ciência com seu curioso sistema digestivo.



