Um grupo de brasileiros deportados dos Estados Unidos, que chegou ao Brasil algemado e acorrentado na última sexta-feira (24), relatou ter enfrentado ameaças e maus-tratos por parte de agentes norte-americanos. Durante o voo, os deportados afirmam que ouviram frases como: “Que se dane o seu governo. Se quisermos, fechamos a porta da aeronave, descemos vocês e matamos todos”.
Os relatos foram feitos após o desembarque em Manaus, onde o avião, que inicialmente deveria pousar em Belo Horizonte, precisou interromper o trajeto devido a problemas técnicos. No aeroporto da capital amazonense, a Polícia Federal (PF), seguindo determinação do Ministério da Justiça, ordenou a remoção imediata das algemas e correntes.
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Segundo Carlos Vinícius de Jesus, um dos passageiros brasileiros, a experiência foi marcada por medo e violência. “Fomos tratados como criminosos. Houve chutes, empurrões e ameaças. Chegar ao Brasil com vida foi um alívio”, relatou. Ele destacou que famílias inteiras, incluindo crianças, estavam a bordo, aumentando o sofrimento coletivo.
Os brasileiros também denunciaram que foram mantidos dentro da aeronave desligada por um longo período, sem acesso adequado a comida ou água. A situação foi descrita como desumana e desrespeitosa.
Após o pouso em Manaus, o governo federal agiu rapidamente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou que a Força Aérea Brasileira (FAB) realizasse o transporte dos deportados até Belo Horizonte, destino final previsto. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou os eventos como “flagrante desrespeito aos direitos fundamentais” e reforçou a necessidade de um tratamento digno aos cidadãos brasileiros.
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Os voos de deportados dos EUA têm ocorrido regularmente desde a gestão do ex-presidente Michel Temer. No entanto, o caso recente foi o primeiro sob a administração de Donald Trump, marcando um endurecimento das políticas de imigração. Ainda na gestão de Joe Biden, um voo semelhante chegou ao Brasil no dia 10 de janeiro, com 100 deportados a bordo.
O Ministério da Justiça e o Itamaraty continuam monitorando a situação e prestando apoio às vítimas. O episódio reacende o debate sobre o tratamento dispensado aos imigrantes e a responsabilidade dos governos em garantir a dignidade de seus cidadãos no exterior.



