Uma técnica promissora para tratar o câncer de mama está chamando a atenção da comunidade médica. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) testaram a crioablação, método que congela e destrói células cancerígenas, e obtiveram 100% de eficácia em tumores de até 2 cm. O estudo, pioneiro na América Latina, pode representar um avanço significativo no tratamento menos invasivo para pacientes com a doença.
O procedimento, que utiliza nitrogênio líquido a temperaturas de cerca de -140°C, é realizado em ambiente ambulatorial, dispensando internações ou grandes cortes cirúrgicos. “É uma alternativa eficaz, especialmente para pacientes com maior fragilidade física, como idosos com comorbidades”, explica Afonso Nazário, professor da Unifesp e coordenador da pesquisa.
Na fase inicial do estudo, participaram 60 mulheres com tumores de até 2,5 cm. Nos casos em que o tumor tinha até 2 cm, a técnica eliminou completamente o câncer. Tumores maiores apresentaram pequenos focos residuais em 8% dos casos, o que reforça a importância de definir critérios precisos para a aplicação do método.
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Embora a pesquisa tenha incluído cirurgias complementares após a crioablação, o objetivo final é eliminar a necessidade de intervenções invasivas, permitindo que o corpo reabsorva as células mortas pelo congelamento.
Apesar dos resultados promissores, o tratamento ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) ou em planos de saúde privados no Brasil. O custo elevado das agulhas utilizadas é um dos principais entraves. Entretanto, os pesquisadores acreditam que a popularização da técnica pode reduzir os custos e beneficiar mais pacientes.
A crioablação já é empregada em países como Estados Unidos, Japão e Itália, e o Brasil pode se tornar um dos líderes na adoção desse método em larga escala, especialmente para mulheres com mais de 60 anos, público que apresentou melhores resultados no estudo.
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A fase final da pesquisa, prevista para 2025, incluirá 700 participantes e será crucial para validar a eficácia da crioablação em longo prazo. “Nosso objetivo é oferecer uma alternativa que seja menos invasiva, eficaz e acessível, aliviando a demanda por cirurgias no SUS”, conclui Nazário.
Embora não substitua outros tratamentos, como radioterapia ou quimioterapia, a crioablação surge como um complemento valioso no combate ao câncer de mama, representando uma esperança de melhoria na qualidade de vida das pacientes.



