Passados dois anos dos atos de 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) avança na responsabilização de financiadores que teriam bancado o transporte de manifestantes até Brasília. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já denunciou 63 pessoas por custear passagens, fretar ônibus ou pagar combustível para a mobilização que culminou em ataques às sedes dos Três Poderes.
As investigações revelaram que os envolvidos foram identificados por meio de registros da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), além de mensagens e vídeos que sugerem planejamento para atos violentos. Parte das denúncias já foi aceita pelo STF, e os julgamentos podem ocorrer ainda em 2025, seguindo o cronograma de outros processos relacionados aos eventos.
++ Presidentes de ministérios interrompem férias para ato em memória do dia 8 de janeiro
Entre os denunciados está Aparecida Solange Zanini, acusada de contratar um ônibus que saiu de Três Lagoas (MS) rumo à capital federal com 29 passageiros. Em depoimento, ela admitiu ter participado de acampamentos que pediam intervenção militar. Mensagens atribuídas a Zanini indicam incitação à violência, incluindo um áudio onde ela afirma ser necessário “quebrar tudo aquilo lá”.
Outro acusado, Milton de Oliveira Júnior, ex-apresentador de rádio em Itapetininga (SP), declarou publicamente ter contribuído com R$ 6 mil para financiar a ida de um manifestante a Brasília. Ele foi alvo de uma fase da Operação Lesa Pátria, mas nega envolvimento em ações violentas e afirma que o valor transferido foi um empréstimo.
++ Candidatura de Gusttavo Lima gera ceticismo entre lideranças políticas
A PGR argumenta que, embora alguns financiadores aleguem intenção de promover manifestações pacíficas, os elementos colhidos nas investigações apontam para um planejamento que incluía materiais como coletes balísticos, máscaras de gás e estilingues encontrados em veículos vistoriados.
Além das ações contra financiadores, o STF analisa processos relacionados aos bloqueios de rodovias ocorridos após o resultado da eleição presidencial de 2022. Em Santa Catarina, pelo menos três ações penais tratam de obstruções em rodovias como a BR-470 e a BR-101, onde foram usadas toras de madeira e carros de som para interditar o trânsito.
Em um dos casos, o caminhoneiro Jonas Strelow foi apontado como líder de um bloqueio que pedia intervenção militar. Ele participou dos atos de 8 de janeiro e, em depoimento, afirmou ter se sentido “enganado” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua defesa alega que as manifestações foram espontâneas e sem ligação com os eventos em Brasília.
Com 371 condenações já proferidas contra executores e incitadores dos ataques, o foco agora recai sobre quem viabilizou a mobilização. A PGR segue reunindo provas e apresentando novas denúncias, enquanto o STF mantém o ritmo de análise para concluir os processos ainda neste mandato.



