Embora muitas pessoas possam facilmente visualizar sons na mente — como um gato miando ou o barulho de uma sirene — há uma condição que impede essa experiência: a anauralia. Termo criado por cientistas da Universidade de Auckland em 2021, a anauralia é a incapacidade de criar imagens auditivas internas. Essa condição será explorada em profundidade na conferência “O Ouvido da Mente e a Voz Interna”, marcada para abril de 2025, na Nova Zelândia.
O fenômeno desperta curiosidade entre os pesquisadores, principalmente pelo papel crucial que a imaginação auditiva desempenha na criatividade. Muitos escritores e músicos, como Charles Dickens e Alice Walker, relataram conseguir ouvir as falas de seus personagens em suas mentes. Para pessoas com anauralia, como o estudante Sang Hyun Kim, a ideia de ouvir sons internos é incompreensível.
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No entanto, a ausência de imaginação auditiva não é necessariamente um obstáculo. Estudos recentes sugerem que indivíduos com anauralia podem ter maior capacidade de concentração, visto que sua mente não se distrai com sons imaginários. Além disso, a condição costuma vir acompanhada de afantasia, a falta de imagens visuais mentais, o que pode ser comum em cerca de 1% da população da Nova Zelândia.
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Curiosamente, a pesquisa sobre a imaginação auditiva tem recebido menos atenção científica que os estudos sobre imagens visuais, embora seja fundamental para entender como o cérebro humano processa a criação interna de sons. Durante a conferência, especialistas discutirão temas como alucinações auditivas e a relação entre a imaginação auditiva e o processo criativo. A expectativa é de que esse evento ajude a lançar luz sobre a importância desse campo ainda pouco explorado da neurociência.



