Uma mulher que foi feita refém em um ponto de ônibus na movimentada Avenida Paulista, no Centro de São Paulo, compartilhou detalhes de sua experiência tensa, mas marcada por um pensamento surpreendentemente cotidiano. Sandra Regina Monteiro revelou que, mesmo sob a ameaça de uma faca, se pegou pensando no impacto do sequestro em sua rotina.
“Teve uma hora que pensei: ‘Eu, com tanta coisa para fazer, parada aqui'”, relatou Sandra em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo. A vítima estava a caminho de uma sessão de acupuntura após sair do pilates, quando foi abordada por uma mulher mais baixa, que aplicou um “mata-leão” e posicionou uma faca em seu pescoço.
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Durante o incidente, a sequestradora exigia que Sandra fizesse uma ligação para a TV Globo. Sem um celular em mãos, a vítima informou que dependia de outras pessoas no local para atender ao pedido, o que acabou mobilizando a polícia.
As equipes da Polícia Militar bloquearam a avenida no sentido Consolação e tentaram negociar a rendição da agressora. Sandra descreveu o momento como desafiador, especialmente porque a sequestradora parecia cada vez mais agitada.
“Ela dizia que conhecia os policiais e não aceitava negociação nenhuma. Mas eu me mantive calma, rezando e pedindo a Deus por sabedoria e tranquilidade”, contou Sandra.
Após 40 minutos de tensão, os policiais usaram uma arma de choque para imobilizar a mulher e libertar a refém. A vítima foi atendida em uma unidade de saúde próxima, sem ferimentos graves.
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O boletim de ocorrência registrou que a sequestradora apresentava sinais de confusão mental, com relatos desconexos. O histórico da mulher inclui um episódio semelhante em 2018, também na Avenida Paulista. Na ocasião, ela foi absolvida pela Justiça por ser considerada inimputável e deveria ter iniciado um tratamento regular em uma unidade de saúde mental.
Em avaliações recentes, a mulher foi declarada “estável” por uma médica psiquiatra da Prefeitura de São Paulo. O caso reacende o debate sobre a necessidade de acompanhamento contínuo para pessoas com transtornos mentais graves.
A ação da polícia foi celebrada por pedestres que acompanhavam a negociação, aliviados com o desfecho sem maiores tragédias.



