Nos últimos anos, Recife, em Pernambuco, ganhou destaque no cenário nacional ao se tornar a capital brasileira com a maior concentração de estudantes formados em tecnologia, um reflexo direto de iniciativas como o Porto Digital e projetos voltados para a inclusão educacional.
O Rec’N’Play, realizado no centro histórico da cidade entre os dias 6 e 9 de novembro de 2024, é uma vitrine desse movimento. O festival reuniu 90 mil participantes em quatro dias de atividades que incluíram mais de 700 eventos, entre palestras, workshops e apresentações culturais. Chamado de “carnaval do conhecimento” por Mariana Pincovsky, diretora do Núcleo de Gestão do Porto Digital, o evento atraiu tanto estudantes quanto grandes empresas e personalidades, com o objetivo de inspirar a inovação e fomentar o aprendizado.
O Porto Digital, fundado em 2000, nasceu como uma solução para conter a evasão de jovens formados na Universidade Federal de Pernambuco, que migravam em busca de emprego. Com 24 anos de existência, o distrito tecnológico hoje abriga cerca de 400 empresas, emprega mais de 18 mil pessoas e movimenta R$ 5,4 bilhões anualmente.
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Pierre Lucena, presidente do Núcleo de Gestão do Porto Digital, destaca o impacto dessa transformação. “Recife lidera no número per capita de alunos formados em tecnologia no Brasil. O mercado está pronto para novos projetos, e a cidade se posiciona como um grande hub de inovação”, afirma.
Segundo dados do Censo do Ensino Superior divulgados pelo Inep, Recife conta com 658,4 estudantes de tecnologia da informação para cada 100 mil habitantes, superando capitais como Brasília, Curitiba e São Paulo.
Apesar do sucesso, o Porto Digital ainda enfrenta desafios, como a diversificação do perfil dos profissionais. A maior parte da força de trabalho é composta por homens brancos de classe média. Para mudar esse cenário, foi criado o programa “Embarque Digital”, uma parceria com a Prefeitura do Recife que oferece bolsas de estudo em tecnologia.
Desde 2021, o programa já formou 350 estudantes e conta atualmente com cerca de 2.000 matriculados. Durante o Rec’N’Play, projetos inovadores desenvolvidos pelos beneficiários do programa foram apresentados. Um exemplo é o “MangueTown”, uma plataforma criada para promover a cultura e preservar o patrimônio histórico da cidade.
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Outro destaque é o NAO Hackathon, que utiliza robôs humanoides em escolas públicas para despertar o interesse de crianças pela tecnologia. Ítalo Correia, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, é um dos participantes do projeto e enxerga no Embarque Digital uma oportunidade única. “Foi a chance da minha vida. Estudar tecnologia sendo egresso de escola pública é um sonho que se tornou possível”, diz o jovem de 19 anos.
Com iniciativas que aliam inovação, educação e inclusão, Recife se firma como um exemplo de como investimentos estratégicos podem transformar uma cidade em um polo tecnológico, gerando oportunidades e desenvolvimento econômico. A capital pernambucana não só atrai talentos, como cria um ambiente onde o aprendizado e a tecnologia caminham lado a lado, moldando o futuro.



