A nova proposta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de tributar rendas superiores a R$ 50 mil mensais reacendeu discussões sobre quem são os chamados “super-ricos” no Brasil. Enquanto o brasileiro médio recebe cerca de R$ 3.222 por mês, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os super-ricos ganham rendimentos mensais 1.451% superiores, destacando a desigualdade no país.
De acordo com um levantamento do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social), o 1% mais rico da população tem renda média de R$ 27 mil, enquanto o grupo dos 0,1% alcança R$ 95 mil mensais. Esse último núcleo, composto por cerca de 156 mil pessoas, possui patrimônios que combinam imóveis, ações e investimentos.
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Além disso, outro estudo do FGV-Ibre revelou que os rendimentos da camada mais rica cresceram significativamente nos últimos anos. Entre 2017 e 2022, os ganhos do 0,01% mais rico triplicaram, enquanto os 95% mais pobres tiveram um aumento de apenas 33%. Para especialistas, isso reflete um cenário de concentração de renda cada vez mais evidente.
Grande parte da renda dos mais ricos provém de fontes isentas de tributação, como lucros, dividendos e renda rural. Em 2022, lucros e dividendos somaram R$ 230 bilhões no país, quase totalmente livres de impostos. O setor agrícola, por sua vez, reportou R$ 50 bilhões em rendimentos isentos no mesmo período.
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Para estudiosos, como Marcelo Neri, coordenador da pesquisa da FGV Social, a ausência de tributação sobre essas receitas contribui para o agravamento da desigualdade. A proposta de Haddad busca corrigir distorções históricas, reduzindo benefícios fiscais que privilegiam os mais ricos.
Enquanto o debate sobre a reforma tributária avança, os números mostram que o crescimento dos rendimentos foi mais acelerado para os mais abastados. Entre os 5% mais ricos, o aumento foi de 51%; no topo do 0,1%, a alta alcançou 87%. Esses dados apontam para a urgência de políticas públicas que enfrentem a concentração de riqueza no Brasil.



