O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a Cúpula de Líderes do G20 para defender uma transformação profunda na estrutura de governança global, com foco no multilateralismo e na democratização das instituições internacionais. Durante o encontro realizado nesta segunda-feira (18), no Rio de Janeiro, Lula afirmou que “não é necessário aguardar uma nova guerra mundial ou um colapso econômico” para promover as mudanças que a ordem global exige.
No discurso, o presidente criticou a concentração de poder nas mãos dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Segundo ele, o uso recorrente do veto compromete a credibilidade e a eficácia do órgão em questões globais cruciais, como conflitos armados e crises humanitárias.
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Lula também fez uma avaliação do impacto da crise de 2008, criticando a priorização de bancos e empresas em detrimento de políticas voltadas para as populações mais vulneráveis. “Optou-se por salvar o setor privado e negligenciou-se o fortalecimento do Estado. Isso apenas aprofundou desigualdades e alimentou o extremismo, o ódio e a violência”, afirmou o presidente.
Para ele, é essencial que líderes globais assumam a responsabilidade de reformar as estruturas atuais, promovendo maior pluralidade de vozes nas decisões internacionais. Entre as propostas, Lula destacou a convocação de uma conferência para revisão da Carta da ONU e uma taxação global de 2% sobre o patrimônio dos super-ricos, que poderia gerar US$ 250 bilhões anuais para enfrentar desafios sociais e ambientais.
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O presidente também abordou a necessidade de revisar regras financeiras internacionais que impactam desproporcionalmente países em desenvolvimento, especialmente os africanos. Segundo Lula, o futuro do mundo será multipolar, e aceitar essa realidade é um passo fundamental para construir a paz e enfrentar desafios como a desigualdade social, mudanças climáticas e os riscos da inteligência artificial.
Lula concluiu seu discurso reforçando a importância do diálogo e da cooperação internacional: “A resposta para a crise do multilateralismo é mais multilateralismo. O futuro não será construído com base no medo, mas na coragem de transformar”.



