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quarta-feira, setembro 16, 2026

Tomografias trazem novas revelações sobre mumificação e vida no Egito Antigo

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Pesquisadores do Museu de História Natural de Chicago estão utilizando tomografias computadorizadas para explorar a fundo os mistérios da mumificação egípcia e da vida dos antigos habitantes sepultados há mais de 3.000 anos. As análises, conduzidas com técnicas não-invasivas, refletem a evolução do estudo arqueológico, agora realizado com maior respeito aos corpos preservados.

A coleta de dados, realizada ao longo de quatro dias, poderá levar até três anos para ser completamente analisada, segundo o coordenador J.P. Brown. No total, 26 múmias foram transportadas em carrinhos especiais até uma unidade móvel de tomografia, permitindo que imagens detalhadas fossem capturadas sem danos aos corpos.

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O museu exibe relíquias do Egito Antigo, incluindo uma reprodução de uma mastaba, ou tumba em forma de pirâmide baixa, que abriga diversas múmias humanas e de animais. Para os egípcios, a mumificação era um processo sagrado que assegurava a passagem segura para o além-vida, preservando o corpo e, consequentemente, o espírito. Esse ritual, que levava cerca de 70 dias, envolvia a remoção dos órgãos internos (com exceção do coração, considerado o centro da alma), desidratação do corpo com salitre e envolvimento em camadas de tecido, frequentemente decorado com orações ou amuletos.

Os pesquisadores descobriram novidades como a prática de recolocar os órgãos nos corpos, dentro de pequenos pacotes que simulam a posição original, ao invés de colocá-los em vasos canópicos, como era mais comum. Esses achados trazem uma nova perspectiva sobre a preparação dos corpos para a eternidade.

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Entre os corpos estudados, duas múmias se destacam: a Dama Chenet-aa, que viveu na 22ª dinastia, e Harwa, um porteiro de silo de grãos. Chenet-aa, que morreu entre os 30 e 40 anos, foi encontrada com olhos artificiais e um preenchimento na traqueia para manter a forma do pescoço, além de um sofisticado processo de cartonagem — uma espécie de sarcófago moldado ao corpo e fixado com adesivo para uma aparência de continuidade.

Harwa, por sua vez, morreu por volta dos 40 anos e, por sua posição como “porteiro” de grãos, desfrutava de certo status social. Sua condição física, sem sinais de desgaste, reflete uma vida relativamente confortável. Tanto ele quanto Chenet-aa tinham marcas de desgaste dental, provavelmente causadas por grãos de areia no alimento.

Hoje, a pesquisa arqueológica se pauta pelo respeito cultural, e o museu de Chicago discutiu a exposição das múmias com autoridades egípcias, que decidiram mantê-las em exibição para educação e preservação histórica. Este contraste é marcante: Harwa, por exemplo, foi transportado em 1939 para uma feira em Nova York, mas atualmente, práticas como essas são evitadas. Cientistas tratam essas relíquias como indivíduos, buscando preservar e contar suas histórias, em um esforço para honrar as tradições e crenças dos antigos egípcios.

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