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sábado, outubro 31, 2026

Mudança nas jornadas de trabalho ao redor do mundo: flexibilidade e novos modelos ganham força

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A proposta de Emenda à Constituição que visa eliminar a escala 6×1 — na qual trabalhadores têm direito a uma folga a cada seis dias — avança na Câmara dos Deputados e desperta debates nas redes sociais. A iniciativa sugere um modelo de até 36 horas semanais, mantendo o limite de oito horas diárias, o que permitiria a adoção da semana de quatro dias de trabalho.

No Brasil, a jornada-padrão, estabelecida pela CLT, é de 8 horas diárias e 44 horas semanais, com remuneração adicional para horas extras. No entanto, segundo o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, da FGV Ibre, há uma tendência global de redução das jornadas, impulsionada pela automação e aumento da eficiência. Estudos, como o do McKinsey Global Institute, mostram que avanços tecnológicos vêm permitindo que profissionais executem mais tarefas em menos tempo, o que pode reduzir a necessidade de longas jornadas.

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Em vários países, a semana de trabalho reduzida tem sido testada e adotada, com resultados promissores. Na Alemanha, 73% das empresas que participaram de um programa experimental da semana de quatro dias em 2024 expressaram interesse em continuar com o modelo, que trouxe estabilidade financeira e benefícios ao bem-estar dos trabalhadores. Países como Alemanha, França e Itália registram jornadas médias de 37 horas semanais, destacando-se como os países da OCDE com menor carga horária, refletindo a tendência de que, em economias mais ricas, o aumento de renda acompanha a diminuição da jornada de trabalho.

Já na China, a segunda maior economia mundial, a realidade é oposta. A média semanal de 48,8 horas reflete uma cultura de longas jornadas, com práticas como o regime 996 (trabalho das 9h às 21h, seis dias por semana). Em resposta, os jovens chineses vêm protestando contra essas condições, e o governo passou a pressionar as empresas a moderarem suas exigências.

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A busca pela redução da carga horária também influencia países como os Estados Unidos e o Reino Unido, que têm limites semanais de 40 e 48 horas, respectivamente. Já na França, que possui uma jornada oficial de 35 horas semanais, há flexibilização para até 10 horas diárias, desde que o limite semanal não ultrapasse 48 horas em média, distribuídas ao longo de 12 semanas.

Essa mudança global revela que, enquanto algumas economias mantêm jornadas tradicionais, outras exploram formatos mais flexíveis, com foco na qualidade de vida e na eficiência, refletindo uma nova visão sobre produtividade e bem-estar no trabalho.

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