Um estudo recente publicado na revista JAMA Network prevê que o número de casos de câncer e mortes causadas pela doença pode quase dobrar globalmente até 2050. Cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália, liderados pelo pesquisador Habtamu Bizuayehu, analisaram dados internacionais sobre incidência e mortalidade de 36 tipos de câncer em 185 países, com base nas informações do Global Cancer Observatory.
A projeção sugere que o total de novos diagnósticos anuais pode crescer cerca de 77%, o que acrescentaria 15,3 milhões de novos casos em 2050 aos 20 milhões registrados em 2022. Já as mortes por câncer podem aumentar em aproximadamente 90%, chegando a 8,8 milhões adicionais.
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A pesquisa destaca que os países com baixos e médios índices de desenvolvimento humano (IDH), como Níger e Afeganistão, devem enfrentar os maiores aumentos tanto em novos casos quanto em óbitos. Nesses locais, o impacto do câncer tende a ser agravado por fatores socioeconômicos e pela falta de infraestrutura médica avançada. Em contrapartida, países de IDH elevado, como Noruega, terão um aumento médio menor.
Gustavo Schvartsman, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que, em países desenvolvidos, a longevidade elevada e os avanços médicos ajudam a reduzir a mortalidade por outras doenças, enquanto em nações em desenvolvimento, a maior expectativa de vida também impulsionará a incidência de câncer.
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O estudo aponta que o câncer de pulmão continuará sendo o mais frequente, representando 13,1% dos novos casos e 19,2% das mortes em 2050. Schvartsman destaca que o aumento nos índices globais de obesidade e o consumo crescente de cigarros eletrônicos contribuem para o risco elevado. Segundo ele, o estilo de vida moderno e o aumento do estresse também são fatores que elevam a incidência de câncer.
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A pesquisa reforça a importância de medidas de prevenção e políticas de saúde pública focadas na redução de fatores de risco e no acesso ao diagnóstico precoce.
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