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quarta-feira, setembro 16, 2026

Após Eleições, Tarcísio se aproxima, ainda mais, da direita radical para 2026

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), abriu um novo capítulo de sua trajetória política, com vistas à eleição de 2026, após declarações controversas contra o candidato Guilherme Boulos (PSOL), que geraram uma onda de reações no cenário político.

Acusado de abuso de poder e disseminação de informação falsa durante o segundo turno das eleições municipais, Tarcísio está na mira de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pela campanha de Boulos, que pede a inelegibilidade do governador.

Tudo começou com um ataque feito por Tarcísio, sem apresentar provas, associando o PSOL e Boulos ao PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa de São Paulo. O governador alegou, em coletiva de imprensa, que a facção teria orientado seus membros a votar em Boulos, uma afirmação que gerou indignação e perplexidade.

A declaração foi imediatamente contestada pela campanha de Boulos e pela imprensa, que apontaram que os comunicados que teriam fundamentado a acusação eram, na verdade, de setembro muito antes do segundo turno.

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Apesar das críticas, a declaração de Tarcísio não apenas agitou a eleição, mas também acirrou a disputa política em São Paulo, abrindo o que analistas políticos chamam de “terceiro turno” uma antecipação das eleições presidenciais de 2026.

Segundo os analistas Cila Schulman, CEO do Instituto de Pesquisa Ideia, e Fábio Zambeli, vice-presidente da Ágora Assuntos Públicos, essa movimentação do governador reflete uma tentativa de se aproximar da direita bolsonarista, da qual ele havia se distanciado em sua campanha.

Zambeli destaca que a reação de Tarcísio tem um objetivo claro: reforçar sua base entre os eleitores mais conservadores e “radicais”, especialmente aqueles ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao associar Boulos ao PCC, Tarcísio busca agitar o campo da direita e, ao mesmo tempo, gerar uma polarização em torno do nome do psolista. A estratégia, segundo ele, visa dar visibilidade a Tarcísio no cenário nacional, especialmente com vistas ao pleito presidencial de 2026.

A situação ficou ainda mais tensa com o pedido de inelegibilidade contra o governador, que, segundo a defesa de Boulos, buscou interferir no resultado da eleição com falsas informações.

Além disso, a reação da Justiça Eleitoral, que já está analisando o caso, pode ter consequências sérias para Tarcísio. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, afirmou que o tribunal dará uma resposta rápida e adequada à situação.

Em um cenário político em ebulição, Tarcísio, que sempre foi visto como uma figura moderada, agora se posiciona mais ao lado da direita bolsonarista.

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A movimentação também causou desconforto entre seus aliados, que não entenderam a motivação por trás do ataque a Boulos, considerado um gesto de “desespero” diante de um possível revés eleitoral. Para alguns analistas, as pesquisas indicavam uma diferença pequena entre Boulos e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que acabou sendo reeleito.

Independentemente do impacto eleitoral imediato, o episódio marca uma virada estratégica para Tarcísio, que busca consolidar seu nome no cenário nacional, especialmente entre os eleitores mais conservadores.

Como destacou Cila Schulman, ele agora se coloca como um “bolsonarista raiz”, buscando se firmar como uma liderança para além de Bolsonaro, numa tentativa de se tornar uma opção para a presidência em 2026.

O governador, porém, também terá que enfrentar as repercussões jurídicas e políticas dessa postura, que pode culminar em uma investigação por abuso de poder político e disseminação de notícias falsas.

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