Zumbis, há muito, instigam o imaginário humano com o medo de uma contaminação capaz de transformar a humanidade em seres sem vontade própria. O apocalipse zumbi, popularizado por filmes e jogos, projeta cenários em que seres humanos são tomados por vírus, radiação ou, mais recentemente, fungos – criaturas que, ao menos na ficção, têm o potencial de reduzir a humanidade a uma multidão de “mortos-vivos”. Mas até que ponto o reino dos fungos pode, de fato, ameaçar nossa espécie?
A ideia de humanos sendo transformados em seres sem consciência não é novidade. Desde a década de 1930, a figura do zumbi ganhou força no cinema e na literatura, mas sua origem remonta ao Vodu haitiano. Nesta prática, certos sacerdotes seriam capazes de criar uma poção que inibiria a vontade de uma pessoa, deixando-a em um estado semelhante à “morte em vida”. Embora seja um mito, essa crença inspirou gerações a imaginar um cenário no qual pessoas poderiam ser controladas e reduzidas a meros corpos ambulantes. Alguns questionam até se esses preparados não poderiam conter fungos, conhecidos por manipular o comportamento de certos animais.
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A série de jogos e a série de TV “The Last of Us” trazem uma versão fictícia dessa possibilidade: o fungo Cordyceps infectando humanos e desencadeando um apocalipse. Esse fungo realmente existe e, na vida real, é capaz de controlar os corpos de insetos, como formigas e cigarras. Após invadir seu hospedeiro, o Cordyceps toma o controle do comportamento do inseto, que passa a agir de forma irracional. No estágio final, o fungo leva o inseto a locais elevados, onde seu corpo serve de suporte para novos esporos que irão infectar outras vítimas – um ciclo cruel e fascinante chamado de “Doença do Cume”.
A boa notícia é que, até o momento, os fungos como Cordyceps têm especificidade por certas espécies e não mostram interesse ou capacidade de infectar seres humanos da mesma maneira. A biologia desses fungos é adaptada a organismos bem menores e, embora possam causar infecções perigosas para nós, não têm poder para controlar nosso comportamento ou nos transformar em “zumbis”. No entanto, algumas infecções fúngicas ainda representam um risco para a saúde humana, afetando principalmente órgãos internos, como os pulmões, e causando doenças cutâneas incômodas, como micoses e o popular “pé de atleta”.
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Apesar do fascínio com o apocalipse zumbi e do poder de certos fungos sobre os insetos, não há evidências científicas de que um fungo possa causar um cenário semelhante entre os humanos. Embora intrigante, essa ameaça é improvável e continua pertencendo ao reino da ficção científica. Afinal, o mundo dos fungos oferece muitos desafios à saúde humana, mas, felizmente, a dominação mental não é um deles.
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