Em um movimento inovador, Yu Donglai, fundador da rede de supermercados chinesa Pang Dong Lai, implementou uma política que vem mexendo com as estruturas tradicionais de trabalho: a “licença por infelicidade”. Seus mais de 7.000 funcionários podem tirar até 10 dias de folga por ano, sem precisar de aprovação prévia, caso estejam insatisfeitos ou desmotivados. A medida é vista como uma tentativa de aliviar a pressão do trabalho intenso na China, conhecida por sua rígida cultura corporativa.
Para Renata Livramento, especialista em saúde corporativa e professora da Human SA, o benefício, embora pareça um avanço, pode ter efeitos contrários. “A licença reconhece que todos enfrentam momentos difíceis, mas, ao invés de buscar soluções para melhorar o ambiente de trabalho, a empresa coloca a responsabilidade exclusivamente no funcionário”, avalia Livramento.
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Impacto na cultura de trabalho chinesa e o limite das mudanças
Além da licença, a empresa também reduziu a jornada de trabalho para sete horas diárias, uma novidade em um país onde o excesso de horas é comum. No entanto, para Livramento, essa mudança pode ser apenas uma superfície: “A ciência da felicidade nos ensina que eliminar o que nos causa infelicidade não garante que seremos felizes”, afirma. Ela explica que, para uma verdadeira sensação de bem-estar no trabalho, é preciso um conjunto de fatores, como condições adequadas, lideranças empáticas e alinhamento entre valores pessoais e organizacionais.
Brasil também sofre com a insatisfação no ambiente de trabalho
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Um estudo recente realizado pela Pluxee, em parceria com o The Happiness Index, revelou que os brasileiros estão cada vez mais insatisfeitos com seus empregos, registrando uma queda de 9% em relação à média global. A pesquisa analisou a felicidade e o engajamento de profissionais em mais de 100 países, mostrando que o Brasil está abaixo da média em ambos os quesitos.
Para Livramento, o foco no bem-estar dos funcionários precisa ser parte central da estratégia das empresas. “Investir na felicidade dos profissionais reflete diretamente nos resultados da organização, com maior engajamento, produtividade e lucratividade”, conclui.
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