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quarta-feira, setembro 16, 2026

Relatório do Banco Central revela R$ 3 bilhões gastos em apostas por beneficiários do Bolsa Família

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Um relatório divulgado pelo Banco Central revelou que, em agosto, beneficiários do programa Bolsa Família destinaram R$ 3 bilhões para casas de apostas e sites de jogos de azar, utilizando o sistema de transferências via Pix. O levantamento mostrou que, do total de 24 milhões de pessoas que apostaram online no período, 5 milhões são integrantes de famílias que recebem o benefício social.

O valor desviado para apostas equivale a cerca de 20% do montante mensal destinado pelo governo ao Bolsa Família, que gira em torno de R$ 14,1 bilhões. A cada R$ 5 pagos pelo programa, aproximadamente R$ 1 estaria sendo usado para esse tipo de gasto.

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De acordo com o estudo, mais de R$ 20 bilhões foram movimentados em sites de apostas somente via Pix no último mês, com 15% desse montante sendo retido pelas plataformas. A identificação dessas operações, no entanto, é dificultada pela falta de classificação adequada de muitos dos 56 sites pesquisados, o que exigiu o uso de filtros e referências cruzadas de transações suspeitas para associá-las às apostas.

O relatório foi elaborado a pedido do senador Omar Aziz (PSD-AM) para mapear e entender a amplitude do mercado de apostas no Brasil. Segundo o estudo, a maior parte dos apostadores tem entre 20 e 30 anos, com um gasto médio mensal de R$ 100. Curiosamente, pessoas com mais de 60 anos são minoria, mas têm um gasto consideravelmente maior, com média de R$ 3 mil mensais.

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O Banco Central apontou que as famílias de baixa renda estão especialmente vulneráveis ao apelo das apostas, muitas vezes buscando uma saída rápida para suas dificuldades financeiras. A instituição admite que ainda são necessários mais dados e tempo para compreender o impacto real do crescimento desse mercado sobre a população brasileira.

Um estudo paralelo da PwC, divulgado recentemente, também destacou que o aumento das apostas está comprometendo o orçamento de famílias de baixa renda, com parte significativa do dinheiro sendo desviada de necessidades básicas, como alimentação.

Diante desse cenário, o governo federal já planeja uma regulamentação mais rígida para o setor, prevista para entrar em vigor em 2025. As novas regras exigirão certificação independente para as plataformas de apostas, limitação de publicidade e obrigatoriedade de operar no domínio “bet.br”. Empresas que não se adequarem poderão ser bloqueadas a partir de outubro.

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