
Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara dos Representantes dos EUA, em derrota expressiva para Donald Trump. (Foto: Instagram)
O Partido Democrata conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições de terça-feira (3), em uma derrota expressiva para Donald Trump. A chamada onda azul avançou por estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Kansas e Carolina do Sul, e alterou o equilíbrio de poder em Washington nos dois últimos anos do mandato presidencial. A vitória foi confirmada na madrugada de quarta-feira (4).
Com o controle das duas casas do Congresso, os democratas poderão barrar projetos do governo, fiscalizar gastos e abrir investigações sobre a administração republicana. No Texas, James Talarico, de 37 anos, venceu o procurador-geral Ken Paxton, apoiado por Trump. Foi a primeira vez desde 1988 que o estado elegeu um senador democrata. Em 2024, Trump havia vencido no Texas por quase 14 pontos percentuais.
Ex-professor de escola pública e deputado estadual, Talarico estudou em um seminário presbiteriano e se define como cristão progressista. Sua campanha combinou referências religiosas, defesa da educação pública, combate à corrupção e críticas ao custo de vida. No mesmo estado, Gina Hinojosa venceu o republicano Greg Abbott na disputa pelo governo, encerrando uma longa sequência de derrotas democratas em eleições estaduais texanas.
No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall. O estado não elegia um democrata para o Senado desde 1932, há 94 anos. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu Darline Graham, apoiada por Trump, que havia vencido no estado por quase 18 pontos em 2024. Os democratas também tomaram cadeiras republicanas em Iowa, Ohio, Maine e Carolina do Norte. Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito após derrotar Mike Collins, apoiado pelo presidente.
Economia, custo de vida e guerra com o Irã estiveram entre os temas centrais da campanha. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2) apontou aprovação de 32% para Trump, perto do menor índice de sua trajetória política, de 31%. Entre os eleitores registrados, 48% indicaram o custo de vida como principal preocupação; 26% citaram a defesa das instituições democráticas e 13%, a imigração. Além disso, 49% disseram que a situação financeira da família havia piorado desde janeiro de 2025, quando Trump voltou à Casa Branca; 13% afirmaram que havia melhorado.
Após a derrota, Trump disse nas redes sociais que não estava na cédula e que teria vencido por ampla margem se estivesse. À CBS News, afirmou que pretende responder à maioria democrata usando vetos, chegando a dizer que poderia ser chamado de “Senhor Veto”. O presidente pode rejeitar projetos aprovados pelo Congresso, mas para derrubar um veto são necessários dois terços dos votos em cada casa. O instrumento permite bloquear leis, não obrigar parlamentares a aprovar sua agenda.
O novo Congresso toma posse em janeiro de 2027 e poderá convocar integrantes do governo, investigar decisões e controlar o orçamento. Trump manterá amplos poderes em política externa, mas o Legislativo pode restringir ações do Executivo, controlar recursos e fiscalizar operações. O Senado confirma diversas indicações e aprova tratados por dois terços; o Congresso também tem atribuições sobre declaração de guerra e financiamento militar. A nova configuração pode dificultar iniciativas da Casa Branca, projetar lideranças democratas como Talarico e intensificar disputas sobre os rumos republicanos e a eleição de 2028, quando Trump não poderá concorrer a um terceiro mandato.



