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quarta-feira, novembro 4, 2026

Análise: Democratas avançam sobre redutos republicanos em vitórias históricas

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Democratas avançam no Congresso dos EUA, conquistam a maioria na Câmara e ficam mais perto de assumir o controle do Senado. (Foto: Instagram)

A noite se desenha como histórica para o Partido Democrata: a legenda recuperou o controle da Câmara dos Representantes dos EUA e também está a caminho de assumir o Senado. Duas disputas senatoriais que, um ano atrás, eram consideradas acirradas se transformaram em vitórias democratas relativamente fáceis.

A primeira surpresa veio com Annie Andrews, que derrotou Darline Graham. Ela havia sido nomeada para ocupar a vaga após a morte de seu irmão, o senador Lindsey Graham. Até poucos meses atrás, poucos analistas acreditavam que esse resultado fosse possível. Os democratas também garantiram a reeleição de Jon Ossoff na Geórgia e venceram a disputa pela cadeira aberta na Carolina do Norte, antes ocupada por um republicano.

Na Carolina do Norte, o ex-governador democrata Roy Cooper derrotou o republicano veterano Michael Whatley. Essa foi a primeira das quatro vitórias de que os democratas precisavam para controlar o Senado. Com a Carolina do Sul também assegurada, o partido alcançou metade do caminho. A atenção agora se volta à apuração das disputas por cadeiras republicanas no Texas, no Kansas e em Ohio.

A CBS News, parceira da BBC nos EUA, considera que as corridas senatoriais no Texas e no Kansas favorecem os democratas. No Texas, a disputa pelo governo estadual, em que o então governador republicano Greg Abbott era considerado favorito absoluto até o ano passado, agora é vista como indefinida.

Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram a maioria pela primeira vez desde 2022. Na Flórida, republicanos da legislatura estadual redesenharam os limites de três distritos ocupados por democratas para facilitar vitórias do partido. Ainda assim, perderam os três. Outras disputas no estado, nas quais os republicanos esperavam vencer com folga, também ficaram acirradas.

Os democratas conquistaram cadeiras em aberto no oeste da Carolina do Norte e no Kentucky, além de aparentarem estar bem posicionados para avançar na Virgínia e em Indiana. O resultado é impulsionado pela alta participação de eleitores democratas, sobretudo de negros no sul, e pela reconquista de eleitores hispânicos na Flórida, que haviam apoiado os republicanos apenas dois anos antes.

Nos condados da Carolina do Sul de maioria negra, Andrews teve desempenho significativamente superior ao de Kamala Harris nas eleições presidenciais de 2024. Em Miami-Dade, condado vencido por Trump naquele ano, os candidatos democratas voltaram a liderar. Ainda assim, a Flórida como um todo parece manter uma inclinação à direita: a senadora republicana Ashley Moody foi reeleita por uma margem estreita, assim como Byron Donalds em sua candidatura ao governo estadual.

Embora o eleitorado pareça ter se voltado contra o presidente Donald Trump e os republicanos, os Estados Unidos têm dimensões continentais e características regionais próprias. Um bom resultado democrata no leste não garante desempenho semelhante em todo o país, mas os primeiros números do interior também parecem acompanhar a tendência da costa leste. A onda democrata já se formou; resta saber até onde avançará sobre redutos republicanos.

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