17.2 C
São Paulo
sábado, outubro 31, 2026

PT adia debate sobre sucessão de Lula e prioriza disputa no Congresso

Leia mais


A composição do próximo ministério de Lula já provoca especulações sobre a sucessão de 2030, mas aliados do PT dizem que as prioridades são formar o governo e negociar com o Congresso. (Foto: Instagram)

A escolha dos ministros que ocuparão áreas estratégicas e sensíveis da Esplanada no quarto governo de Lula já alimenta especulações sobre a sucessão presidencial de 2030. Os cargos de destaque podem ampliar a projeção nacional de possíveis herdeiros políticos do presidente. Aliados do petista, porém, consideram cedo discutir essa disputa e apontam como prioridades a formação do governo, a articulação com o Congresso e a execução de políticas públicas.

Um integrante do PT afirmou que o próximo mandato deve se concentrar em apresentar resultados à população e debater reformas. Entre os temas que, segundo ele, precisam entrar na agenda estão mudanças nas áreas política, eleitoral e do Judiciário. O parlamentar avaliou que ninguém deveria se colocar como candidato nem antecipar a discussão sobre quem sucederá Lula.

Ao comentar a escolha dos ministros, o petista também rejeitou que a divisão entre nomes técnicos e políticos seja usada, isoladamente, como critério. Na avaliação dele, a composição da Esplanada deverá refletir a correlação de forças no Congresso Nacional e levar em conta a capacidade do governo de negociar com os partidos presentes na Câmara e no Senado.

Sem antecipar o debate sobre 2030, o PT concentra atenção na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. A escolha do próximo dirigente da Casa faz parte das negociações que definirão a relação entre o Legislativo e o Executivo durante o novo mandato.

O deputado Valmir Assunção (PT-BA) disse que o partido não deve formar blocos parlamentares com o PL nem com o Novo, citando divergências políticas e ideológicas com as duas siglas. Para ele, a articulação em torno da eleição para a presidência da Câmara terá de envolver outros partidos. Assunção afirmou que a construção de uma maioria dependerá de acordos e defendeu que o candidato ao comando da Casa conduza as negociações. Ele acredita que o governo buscará um presidente alinhado ao Executivo, mas reconheceu a autonomia do Legislativo para escolher seu dirigente.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) também apontou a articulação com o Congresso como um desafio para o próximo governo. Ele defendeu uma mudança na estratégia de negociação e criticou o que considera uma submissão do Executivo aos partidos capazes de oferecer votos para aprovar projetos. Solla argumentou que ampliar concessões não garante estabilidade e mencionou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), afirmando que um erro foi associar governabilidade apenas ao número de parlamentares aliados.

Na avaliação de Solla, a mobilização popular poderá pressionar o Congresso e ajudar a aprovar a agenda de Lula, mesmo que a base governista seja menor do que a atual. Para o deputado, o próximo governo deverá apostar em posicionamento político, cobrança e participação social.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias