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sexta-feira, outubro 30, 2026

Avanço bolsonarista acelera debate sobre eleição para deputado federal

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Hugo Motta quer avançar ainda neste ano na discussão sobre o voto distrital misto, em meio ao crescimento da bancada bolsonarista e ao debate sobre o peso das redes sociais nas eleições. (Foto: Instagram)

O crescimento de políticos ligados ao bolsonarismo na Câmara dos Deputados impulsionou as discussões sobre mudanças no sistema eleitoral. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende avançar ainda neste ano com uma proposta de adoção do voto distrital misto, enquanto são debatidas as regras para a próxima legislatura.

Parlamentares avaliam que o aumento da bancada bolsonarista é um dos fatores que motivam a tentativa de alterar o modelo antes da posse do novo Congresso. Um deputado do PT apontou que a votação expressiva de nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), além de outros candidatos fortalecidos pelas redes sociais, ajudou a acelerar a discussão.

Um parlamentar bolsonarista também considerou que o crescimento da bancada ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) influenciou diretamente a iniciativa da Câmara. Já o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante, declarou que o partido é contrário ao voto distrital misto.

A discussão ocorre ainda em meio a preocupações com o peso das redes sociais nas campanhas e com a concentração de votos em candidatos de grande alcance digital. Um deputado sem ligação com o bolsonarismo afirmou, sob anonimato, que regulamentar as plataformas durante as eleições pode agravar o problema. Na avaliação dele, a decisão do TSE de impedir recomendações de conteúdo por algoritmos durante o pleito foi um “tiro no pé”; se a regra for mantida ou ampliada, a concentração de votos em influenciadores poderá crescer.

As regras das plataformas e a distribuição de conteúdo político podem afetar a visibilidade dos candidatos e sua capacidade de mobilizar eleitores. Nesse contexto, parlamentares com forte presença digital podem reunir mais votos e ampliar sua influência na composição das bancadas.

Pela proposta do voto distrital misto, cada eleitor faria duas escolhas: uma para um candidato de seu distrito eleitoral e outra para um partido. Parte das cadeiras caberia aos mais votados em cada região, e as demais seriam distribuídas de acordo com o desempenho das legendas. Hoje, deputados federais são eleitos pelo sistema proporcional de lista aberta, no qual os votos recebidos por partidos e candidatos influenciam a divisão das vagas. Esse modelo permite que candidatos muito votados ajudem a eleger colegas da mesma legenda, como os chamados “puxadores de votos”.

A mudança também se aplicaria a deputados estaduais e distritais e a vereadores. Presidente da República, governadores, prefeitos e senadores continuariam eleitos pelo sistema majoritário. A previsão em discussão é adotar integralmente o voto distrital misto em 2034, após uma transição em 2030. Outra opção mencionada é o distritão, no qual os candidatos individualmente mais votados em cada estado ficariam com as vagas disponíveis. A proposta depende de negociação entre os partidos e de decisões sobre a transição; a resistência do PL, que integra a oposição ao governo Lula e reúne parlamentares bolsonaristas, é um dos obstáculos a um acordo.

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