Felix Gretarsson, de 49 anos, voltou a realizar atividades cotidianas e a abraçar familiares após receber um transplante dos dois braços na França, em 2021. O islandês, que teve os membros amputados depois de sofrer uma descarga elétrica durante o trabalho, em 1998, passou por uma cirurgia de aproximadamente 15 horas e recuperou movimentos e sensibilidade nas mãos.
O acidente aconteceu pouco depois do nascimento de sua filha, quando Felix trabalhava como eletricista na Islândia. As consequências da descarga elétrica levaram os médicos a amputar seus braços. Anos depois, ele iniciou a busca por um transplante, mas precisou esperar cinco anos até encontrar um doador compatível.
Desde a cirurgia, Felix passou a recuperar habilidades que permitem realizar tarefas como escovar os dentes, passear com o cachorro e cumprimentar outras pessoas. Ele também voltou a abraçar a filha e os netos, algo que não conseguia fazer desde o acidente.
Durante uma participação no programa britânico Good Morning Britain, ao lado da esposa, Silvia, o islandês contou que já consegue perceber sensações nas mãos transplantadas. “Tenho sensibilidade em todos os dedos, nas mãos”, afirmou.
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Apesar dos avanços, Felix explicou que a recuperação exige acompanhamento e exercícios constantes. Segundo ele, algumas tentativas de movimentar os braços ainda não produzem os resultados esperados, embora novas habilidades continuem surgindo. “É extremamente desafiador e frustrante tentar fazer alguma coisa constantemente e os músculos não se moverem, mas a recompensa é incrível quando, de repente, esses movimentos começam a aparecer”, relatou à agência South West News Service.
O processo de recuperação da sensibilidade também não está completo. Felix contou que, recentemente, estava varrendo a área ao redor de uma piscina quando sofreu ferimentos nas mãos sem perceber imediatamente “Ainda não está totalmente desenvolvido. Eu estava varrendo ao redor da piscina outro dia e não percebi quando surgiram bolhas até ver o sangue”, explicou.
Segundo o islandês, os nervos precisam crescer ao longo das estruturas dos braços transplantados para permitir a recuperação gradual dos movimentos. Ele afirmou que os primeiros sinais de força apareceram nos músculos dos braços, enquanto as mãos continuam sendo a parte mais difícil do processo.
“No começo, surgiu um pouco de força nos bíceps e nos tríceps, na parte de trás, e, obviamente, a mão é a última. A mão é a mais complicada porque há muitos músculos pequenos e nervos, então consigo quase fechar o punho do lado direito. Consigo mexer um pouquinho os dedos do lado esquerdo”, contou.
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Atualmente, Felix vive na França com a esposa e utiliza sua experiência para incentivar conversas sobre a doação de membros, além da doação de órgãos. Ele destacou que a espera por um doador compatível pode representar uma dificuldade para outras pessoas que precisam desse tipo de procedimento.
“Se as pessoas ao menos tivessem essa conversa com quem está sentado ao lado, com alguém que amam: ‘Qual é a sua opinião sobre doar mais do que órgãos?'”, questionou durante a entrevista. “Sou um homem branco, de estatura média, na França, mas ainda assim levei cinco anos para encontrar um doador. Então só consigo imaginar como é para grupos minoritários ou outras pessoas. É difícil, mas pode mudar muita coisa”, afirmou.
Ao comentar as mudanças que viveu desde o transplante, Felix disse que procura valorizar cada avanço conquistado durante a recuperação. “Sempre há um lado positivo em tudo. Há tantas coisas boas que você pode tirar disso. É isso que tem me mantido seguindo em frente. Então, estou meio que vivendo em um conto de fadas. Sempre há alguma coisa nova”, declarou.



