
A vitória de Lula ampliou as chances de Hugo Motta e Davi Alcolumbre permanecerem no comando da Câmara e do Senado. (Foto: Instagram)
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo, 25, ampliou as chances de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) continuarem à frente da Câmara dos Deputados e do Senado. O resultado também reduziu a pressão sobre os dois, após o PL eleger bancadas recordes e sinalizar interesse em disputar o comando das Casas.
Em pronunciamento em Brasília, pouco depois da confirmação da vitória, Motta e Alcolumbre parabenizaram Lula e reconheceram o resultado das urnas. Também fizeram gestos à oposição e a Flávio Bolsonaro, derrotado na disputa presidencial. Motta afirmou que a eleição era motivo de alegria para quem acredita na democracia e defendeu que Lula avalie acertos e erros.
O presidente da Câmara disse que o país está dividido e passou os últimos quatro anos em um ambiente de radicalização. Na avaliação dele, o novo mandato oferece ao presidente a oportunidade de promover a conciliação e governar para todos. Motta também afirmou que o Legislativo está disposto a dialogar com independência e harmonia, conforme prevê a Constituição, e a discutir o futuro do país.
Alcolumbre declarou não haver razão para contestar o resultado e afirmou que o Congresso debaterá os temas necessários para responder às expectativas da sociedade. Segundo ele, quase 125 milhões de brasileiros votaram, e Lula foi reeleito com 64 milhões de votos. O senador também citou a votação expressiva de Flávio e classificou a vitória do petista como “consagradora”, ressaltando que o Legislativo está atento às demandas da população.
O PL elegeu 121 deputados federais, um quarto das cadeiras da Câmara e a maior bancada da história. O recorde anterior era do PMDB, que conquistou 109 vagas em 1990. No Senado, o partido terá 28 parlamentares, um terço da Casa. Os bolsonaristas precisariam de 13 votos de aliados para alcançar maioria simples e eleger o sucessor de Alcolumbre. Entre os nomes cogitados estão Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. O PL conta com apoio de siglas como PP, Novo, PSDB e Republicanos.
Lideranças do Centrão avaliam que a vitória de Lula deu mais espaço para Alcolumbre articular sua recondução. Parlamentares dizem que ele já começou a buscar apoio nos bastidores, oferecendo gabinetes. Para Motta, o cenário é mais favorável: ele reuniu inicialmente um bloco com União, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos. Depois, PSB, PDT e PV aderiram, formando uma base de 273 deputados. O PT poderia acrescentar seus 70 parlamentares, seguido pelo PC do B, com 11.
Lula já havia afirmado, na primeira eleição de Motta, que não repetiria o erro de Dilma Rousseff (PT). Em 2015, ela apoiou Arlindo Chinaglia (PT-SP) contra Eduardo Cunha (MDB), que venceu a disputa pela Câmara. Motta e Alcolumbre foram aliados importantes de Lula ao longo do ano. O presidente e Alcolumbre haviam rompido em abril, após o Senado rejeitar a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ao STF. Lula atribuiu a derrota à atuação de Alcolumbre, que defendia Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga. Após a reaproximação, Alcolumbre pautou projetos de interesse do governo. Motta apoiou Lula também na tentativa de ajudar seu pai, Nabor Wanderley, a se eleger senador pela Paraíba; ele terminou em terceiro lugar.



