Georgina Ann, de 28 anos, teve a vida transformada após ser diagnosticada com encefalite, uma inflamação no cérebro que pode provocar complicações neurológicas. Moradora de Bolton, na Inglaterra, ela começou a apresentar tonturas, perda de apetite e dificuldades para caminhar em agosto de 2024. Depois de ser internada, passou a enfrentar problemas de memória que a impediram de reconhecer familiares e realizar atividades que antes faziam parte de sua rotina.
Em entrevista ao jornal britânico Metro, Georgina contou que, ao receber alta hospitalar, não conseguia identificar os rostos de pessoas próximas e precisava ser lembrada de seus nomes. A perda de memória também afetou sua capacidade de se orientar dentro de casa. “Quando saí do hospital, eu nem sequer teria me lembrado de onde ficavam o quarto ou o banheiro”, relatou.
Dois anos depois do diagnóstico, a britânica continua enfrentando dificuldades para reconhecer pessoas e recordar acontecimentos. Segundo ela, algumas lembranças só retornam quando recebe algum estímulo, como um sorriso ou uma saudação. “Não sei quem são as pessoas até que sorriam para mim ou digam olá. É nesse momento que as coisas começam a voltar”, explicou.
Georgina comparou a experiência à dificuldade de lembrar um filme apenas pelo nome, mas conseguir reconhecê-lo depois de ver uma imagem do ator ou de alguma cena. “É como quando seus amigos perguntam se você assistiu a um filme, mas, até ver uma imagem do filme ou do ator, você não sabe quem são. É assim comigo, mas todos os dias da semana”, afirmou.
A condição também interfere na maneira como ela acompanha acontecimentos da vida de conhecidos. Georgina contou que já encontrou pessoas com filhos pequenos sem conseguir se lembrar de que elas estavam grávidas anteriormente. “Vou rapidamente ao supermercado e vejo que alguém teve um filho, mas eu nem sabia que essa pessoa estava grávida”, disse.
Além dos problemas de memória, Georgina precisou interromper o trabalho como gerente de escritório e deixou de dirigir. Ela também passou a enfrentar dificuldades para preparar refeições, vestir-se e realizar tarefas domésticas.
Por precisar de mais apoio, a jovem voltou a morar com o pai. Mesmo assim, situações comuns do dia a dia continuam representando desafios. “Uma noite, coloquei o jantar no forno para meu companheiro, que tinha ido me visitar, e, em meia hora, esqueci que tinha feito isso e pedi comida por entrega”, contou.
Ela também relatou que já deixou o forno ligado, provocando uma situação de risco dentro de casa. “Deixei o forno ligado e quase coloquei fogo na casa. Não consigo fechar a geladeira direito, não consigo ligar a secadora, minhas roupas estão sempre do avesso ou com a parte de trás para a frente”, afirmou.
Apesar das limitações, a britânica encontrou uma maneira de aproveitar algumas experiências que antes conhecia bem. Como não consegue se lembrar completamente de determinados filmes, passou a assistir novamente a produções de que gostava na infância.
Uma delas é O Grinch, que tem uma ligação especial com sua mãe, já falecida. “O Grinch sempre foi meu filme favorito quando eu era pequena. Antes de minha mãe morrer, ela comprou um pijama para mim, para que eu pudesse aproveitar o filme. Então, poder assisti-lo como se eu fosse uma garotinha foi mágico”, relatou.
Enquanto enfrenta as consequências da encefalite, Georgina decidiu compartilhar sua experiência para chamar a atenção para os sintomas da doença e a importância de procurar atendimento médico. “Certifique-se de que, aconteça o que acontecer, você tenha um contato de emergência marcado com uma estrela vermelha no celular. Se apresentar sintomas semelhantes aos que tive, ligue para emergência. Não importa se você acha que é apenas uma tosse ou uma irritação na garganta, simplesmente ligue”, orientou.



