
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro durante debate presidencial em estúdio (Foto: Instagram)
Mais de 33 milhões de eleitores deixaram de votar no primeiro turno de 2026, o equivalente a 21,08% do eleitorado – o maior índice de abstenção desde 1998. A poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) enfrentam o desafio de atrair quem ainda não decidiu seu voto e aqueles que ficaram de fora da disputa inicial.
A pesquisa Quaest divulgada em 21 de outubro aponta empate técnico entre os candidatos: Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto contra 44% de Lula. No levantamento espontâneo, a taxa de indecisos dobrou em uma semana, passando de 7% para 14%, resultado apurado após o primeiro debate entre os dois, realizado no domingo, 18. O estudo ouviu presencialmente 2.154 eleitores com 16 anos ou mais, entre 17 e 20 de outubro, em todo o país, registrando margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95% (protocolo BR-08535/2026 no TSE).
Para o cientista político Lucas Massimo, da Uninter, o indeciso toma sua decisão de forma pragmática, não ideológica, buscando o candidato que projete a “solução menos pior” para o seu futuro. Ele ressalta a importância da rejeição como critério de escolha: o índice de rejeição a Lula caiu de 53% para 47%, enquanto o de Flávio recuou em dois pontos, para 52%. Massimo aconselha as campanhas a evitarem discursos conflituosos e a investirem em mensagens mais moderadas, capazes de transmitir confiança e de aliviar o clima tenso gerado em debates como o da Band.
O professor Renan Alencar, da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas, concorda que é preciso ampliar o diálogo para além das bases tradicionais. Ele alerta que a polarização reforçada pelas redes sociais limita a comunicação com eleitores de perfis diversos. Para Alencar, propostas econômicas e benefícios podem influenciar os indecisos, desde que apresentadas de forma transparente e vinculadas a um debate mais amplo sobre os rumos do País, com explicações sobre objetivos e impactos em prazos realistas.
A mobilização dos abstencionistas exige atenção às condições que os afastaram das urnas. Parte não votou por dificuldade de deslocamento, longas filas – em um dia de seis votações – ou chuvas em regiões metropolitanas como Recife e Rio de Janeiro. Segundo especialistas, a redução da abstenção no segundo turno pode ocorrer com a disputa presidencial única em jogo e com melhores condições climáticas. Além disso, o esforço das campanhas para facilitar o acesso às seções pode aumentar o comparecimento.
Para conquistar tanto indecisos quanto ausentes, é fundamental oferecer perspectivas de longo prazo, com propostas concretas e explicações claras sobre como cada medida afetará a vida das pessoas. Levantamentos indicam que cerca de 5% dos eleitores de ambos os candidatos ainda consideram mudar de voto. O sucesso depende de uma comunicação que combine moderação, debate qualificado de ideias e apresentação de projetos consistentes para garantir previsibilidade e segurança aos eleitores.



