Uma tentativa de salvar a melhor amiga deixou Stacy Márquez, norte-americana de ascendência mexicana, com queimaduras graves no rosto e no corpo. O acidente aconteceu em 20 de fevereiro de 2010, quando as duas adolescentes, de 15 anos, passeavam de caminhonete nos arredores de Anáhuac, no estado mexicano de Chihuahua. Stacy sobreviveu após receber ajuda de duas pessoas, mas sua amiga morreu na colisão.
A história foi contada pela própria Stacy em um vídeo publicado no TikTok e repercutida pelo portal mexicano Telediario. Segundo ela, as duas se conheciam desde a infância, eram vizinhas e haviam decidido sair da cidade naquele dia. Durante o passeio, a amiga, que dirigia o veículo, foi surpreendida por uma curva fechada e tentou frear, provocando o capotamento.
Com o impacto, Stacy foi arremessada pela janela, enquanto a motorista permaneceu dentro da caminhonete. O veículo atingiu postes de energia elétrica, que caíram sobre ele. Ao perceber que a amiga estava presa, Stacy se aproximou para tentar retirá-la, sem saber que a estrutura estava eletrificada. “Quando fui tentar tirar minha amiga da caminhonete, toquei no veículo e, como estava eletrificado, meus dedos sofreram uma descarga elétrica. Foi por isso que os perdi. Quando toquei na caminhonete, ela explodiu e me arremessou. Lembro que estava correndo em chamas e, então, chegaram duas pessoas para apagar o fogo em mim”, relatou.
++ Lojistas franceses adquirem armas para se defender de saques em novos protestos
A explosão provocou queimaduras em grande parte do corpo da adolescente. Apesar dos ferimentos, Stacy contou que não se recorda de ter sentido dor imediatamente. Duas pessoas que chegaram ao local conseguiram apagar as chamas e levá-la para receber atendimento médico. “Lembro de olhar para baixo e me ver queimada, mas não me lembro de sentir dor. O médico me explicou que, quando você está passando por muita dor, sua mente bloqueia e você deixa de sentir”, afirmou.
A amiga não resistiu ao acidente. Stacy contou que recebeu a notícia de que ela havia morrido na colisão e acredita que também poderia ter perdido a vida caso não tivesse sido arremessada para fora do veículo. “Infelizmente, não pudemos fazer mais nada pela minha amiga. Disseram-me que ela morreu na batida, então, se eu não tivesse sido arremessada pela janela, também teria morrido”, declarou.
Inicialmente, Stacy foi internada em um hospital de Chihuahua, onde seu estado de saúde era considerado grave. Segundo seu relato, os médicos chegaram a dizer à mãe que ela poderia não sobreviver à primeira noite. A possibilidade de amputação de um dos braços também foi discutida. “Minha mãe nunca perdeu as esperanças. Os médicos em Chihuahua diziam a ela que eu não passaria daquela noite. Queriam amputar meu braço, mas ela dizia para não fazerem nada comigo. Então me levaram para Sacramento, na Califórnia, e lá salvaram minha vida”, contou.
Após a transferência para o Hospital Shriners, nos Estados Unidos, Stacy recebeu tratamento especializado para queimaduras. Ela permaneceu 18 dias na unidade de terapia intensiva e passou aproximadamente três meses em recuperação.
++ Eleitores interpretam decisões do STF e do TSE segundo suas convicções, dizem especialistas
Durante a internação, a adolescente também enfrentou o sofrimento da família. Entre as poucas lembranças que guarda dos primeiros dias no hospital, uma das mais marcantes envolve sua mãe. “No hospital de Chihuahua, tenho pouquíssimas lembranças. A mais dolorosa é ouvir minha mãe, pedir perdão a ela por fazê-la sofrer. Eu a ouvia chorando. No hospital, já me lembro de sentir muita dor”, disse.
As queimaduras deixaram marcas permanentes em seu rosto e em outras partes do corpo. Stacy contou que, depois do tratamento, precisou lidar com as mudanças na aparência e com os comentários de pessoas que a observavam. “Eu me olhei e não conseguia acreditar que aquela era eu. Foi muito doloroso ver minha pele, ver meu cabelo tão curtinho. Foi muito impactante… Outra das coisas difíceis foi a reação das pessoas, quando as crianças me diziam coisas. Foi muito difícil”, relatou.
Ao compartilhar sua história nas redes sociais, Stacy relembrou não apenas os ferimentos e o tratamento médico, mas também a perda da amiga com quem havia crescido. O relato reúne as consequências de um acidente ocorrido cinco dias depois de seu aniversário de 15 anos e as dificuldades enfrentadas durante a recuperação.



