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quinta-feira, outubro 22, 2026

Lojistas franceses adquirem armas para se defender de saques em novos protestos

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O primeiro-ministro Sébastien Lecornu em Paris antes da reunião sobre segurança dos comerciantes (Foto: Instagram)

Comerciantes na França se preparam para o próximo sábado (24) com apreensão, após milhares de estabelecimentos terem sido alvo de saques e depredações no fim de semana anterior. Muitos já optaram por manter as portas fechadas, enquanto outros decidiram adquirir dispositivos de defesa própria. Em meio a esse cenário, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou representantes dos principais partidos nesta quinta-feira (22) para debater a escalada de violência no país.

Pierre Bosche, presidente da Confederação dos Comerciantes da França, afirma que “a preocupação é máxima”. Ele destaca que entre 2 mil e 3 mil lojas foram atacadas nos protestos do último dia 17, reforçando a descrença de muitos lojistas na capacidade das forças de segurança de evitar novas invasões. O governo, por sua vez, anunciou o reforço policial, convocação de militares e novos toques de recolher em diversas cidades.

Em depoimento à rádio FranceInfo, Claudie, dona de um restaurante vietnamita, relatou ter comprado um taser e um cassetete para proteger seu negócio. “Já não podemos depender da polícia para nos resguardar”, declarou. Paralelamente, associações de varejistas lançaram a iniciativa “Braçadeira Preta”, que convoca uma mobilização nacional para organizar a proteção dos pontos comerciais contra possíveis tumultos.

O aumento expressivo na procura por armas de defesa também foi confirmado por comerciantes do setor. O proprietário da armaria Élysées, em Paris, disse ao jornal 20 Minutes que houve “explosão da demanda” por sprays de pimenta e outros dispositivos liberados sem necessidade de autorização. Já na loja Vouzelaud, também na capital, registrou-se vendas elevadas de pistolas lançadoras de gel sufocante, capaz de desencadear crises asmáticas.

A tensão política cresce a poucas horas da reunião ministerial. Lideranças de La France Insoumise enviaram carta cobrando explicações ao governo, criticando restrições ao direito de manifestação, emprego de militares nas ruas e atribuição de culpa à esquerda radical pela violência. Enquanto isso, Marine Le Pen e Jordan Bardella, da Reunião Nacional, anunciaram que não comparecerão ao encontro, ao passo que Raphaël Glucksmann confirmou presença para apresentar soluções.

Para garantir a ordem no próximo protesto, o governo mobilizará 20% a mais de efetivo em relação à semana anterior, incluindo veículos blindados, helicópteros e tropas de elite. Militares deverão proteger prédios públicos e pontos turísticos como a avenida Champs-Élysées. Novos toques de recolher e proibições de atividades em áreas consideradas sensíveis também entrarão em vigor.

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou que 174 pessoas já foram presas em regime de julgamento acelerado pelos atos de vandalismo e saques. Autoridades estrangeiras, como dos Estados Unidos, China e Alemanha, emitiram alertas de viagem a cidadãos na França. Paralelamente, a instabilidade política e social refletiu-se nos mercados: os juros da dívida francesa a dez anos ultrapassaram 5% nesta quarta-feira (21), um patamar não visto desde 2002.

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