
Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam no debate da Band em 18 de outubro (Foto: Instagram)
O primeiro debate do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ocorreu na noite de 18 de outubro, organizado pela Band em parceria com Gazeta, Cultura, Jovem Pan News e O Estado de S. Paulo. O formato foi considerado caótico por analistas, com mediadores tendo dificuldade para conduzir o programa e impostas poucas propostas concretas, em um ambiente dominado por ataques mútuos.
Para especialistas, o confronto teve resultado “inútil para eleitores indecisos”. Dados da pesquisa Datafolha divulgados na mesma semana apontam que 3% do eleitorado ainda não definiu o voto. Até uma semana do segundo turno, ambos estão empatados em 47% das intenções, segundo um agregador de sondagens.
No primeiro bloco, Lula e Flávio Bolsonaro focalizaram suspeitas de corrupção. O senador do PL citou Roberta Luchsinger, amiga de Fábio “Lulinha” da Silva, mencionando suas declarações sobre possível delação premiada e ameaças após ser chamada de “pilantra”. Flávio afirmou que Lulinha estaria escondido no exterior para escapar de investigações. Em resposta, o ex-presidente lembrou que seu filho abriu contas e telefones para apurações e que “Roberta é um problema da Polícia Federal”.
A tensão seguiu com o escândalo do INSS: Flávio fez críticas ao governo, acusando o presidente de “roubar aposentados”, e exibiu a palavra “corrupto” na palma da mão. Lula rebateu dizendo que a quadrilha do INSS teria sido estruturada no governo anterior e só descoberta após sua posse. Em seguida, o petista questionou o senador sobre os R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para custear o filme Dark Horse, e desafiou Flávio a abrir sigilos bancários e telefônicos para mostrar “quem é ladrão de verdade”.
Várias perguntas ficaram sem resposta: do suposto plano de adotar o modelo econômico de Javier Milei às denúncias de amizade com líderes autoritários. Lula ainda cobrou explicações sobre a atuação de Flávio como advogado do policial acusado de matar uma menina de cinco anos em Niterói, e o senador devolveu com críticas ao crescimento da criminalidade no governo petista. Em um dos momentos mais acalorados, Lula alfinetou: “Gostaria que seus presidiários votassem em você e até no teu pai”.
O último bloco trouxe confronto sobre política externa. Lula perguntou se Flávio pretendia entregar a exploração de terras raras e minerais estratégicos aos Estados Unidos. O senador acusou o governo atual de manter relações com regimes de países como Nicarágua e Venezuela e recordou acordos firmados nos primeiros mandatos de Lula com o Irã. O debate se encerrou com poucas propostas detalhadas, reforçando o tom confrontacional entre os dois candidatos.



