
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divergem sobre abertura de sigilos em debate (Foto: Instagram)
O debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18) pela Band, foi dominado por trocas de acusações sobre corrupção e questionamentos à transparência financeira de ambos e de suas famílias. Durante o encontro, o tema dos sigilos bancário e telefônico ganhou destaque, reacendendo a atenção para o patrimônio declarado por cada um no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na ocasião, Lula lançou um desafio direto ao adversário: que os dois abram suas contas bancárias e compartilhem o sigilo telefônico — estendendo o mesmo às respectivas famílias — para que o eleitorado possa avaliar quem tem ou não algo a esconder. “Flávio, aqui muito se falou de corrupção. Eu vou fazer uma proposta para você. Eu desafio você. Amanhã, abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Para que o povo saiba quem é ladrão”, declarou o petista.
Além disso, o presidente sugeriu que toda documentação fosse entregue aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral. A ideia, segundo Lula, é que a Justiça analise os dados antes do segundo turno e possibilite ao eleitor uma visão clara sobre eventuais irregularidades. “Abra o telefone e a sua conta bancária; eu abro da minha família inteira e você abre da sua família. E vamos pedir para a Justiça. Nós entregamos ao presidente da Suprema Corte, entregamos ao presidente do TSE o seu documento e o meu, para que avalie, antes das eleições, o povo saber quem é quem na história desse país”, afirmou.
Em resposta, Flávio Bolsonaro disse não ter nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a proposta do rival. O senador acusou Lula de movimentar recursos “por fora” por meio do Instituto Lula, mencionando valores de R$ 30 milhões referentes a um filme sobre o presidente, ainda sem comprovação. “Eu não tenho absolutamente nada a esconder, só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre, não está na sua conta, está em algum outro lugar. Como falou o Vorcaro, o dinheiro do seu filme foi por fora, R$ 30 milhões no Instituto Lula, isso tem que ser investigado”, declarou.
O embate reforçou a comparação entre os patrimônios oficiais de cada candidato. Segundo as declarações ao TSE para as eleições de 2026, Flávio Bolsonaro declarou R$ 8.186.555,83 em bens, enquanto Lula informou um total de R$ 4.775.650,64. Esses números, registrados na Justiça Eleitoral, apenas refletem a informação prestada pelos próprios concorrentes e não constituem, por si só, comprovação de irregularidade.



