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sábado, outubro 17, 2026

Marido da prefeita de Bauru, que também é secretário de Governo, é detido em ação do Gaeco

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Renato Purini, secretário de Governo de Bauru, durante foto oficial (Foto: Instagram)

Na manhã de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, Renato Purini, secretário de Governo de Bauru (SP) e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi detido durante operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público em parceria com a Polícia Militar. A ação, deflagrada por volta das 6h, incluiu buscas na residência do casal e em dependências da Prefeitura de Bauru.

De acordo com informações da GloboNews, os mandados cumpridos em Bauru fazem parte dos desdobramentos da Operação Cavalo de Troia, voltada a apurar supostas fraudes em licitações públicas. Além da casa da chefe do Executivo municipal, agentes estiveram na sede da Prefeitura, onde recolheram documentos e dispositivos eletrônicos para análise.

Até o momento, a Cavalo de Troia já resultou na prisão de ex-secretários ligados à administração municipal, apontados como integrantes de um esquema destinado a direcionar contratos bilionários. Entre os alvos estão investigações sobre a concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos do município para os próximos 30 anos, avaliada em R$ 5,2 bilhões, o maior contrato público da história de Bauru.

Em nota, a Prefeitura de Bauru confirmou a realização da operação e afirmou não ter sido oficialmente informada sobre o teor dos mandados até então. O comunicado ressalta que a administração municipal está à disposição das autoridades para fornecer documentos, prestar esclarecimentos e colaborar com o andamento das investigações.

As apurações do Gaeco tiveram início em março, a partir de denúncias de ameaças contra catadores da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (Ascam). Segundo relatos, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da Ascam, Gisele Moretti, usava sua influência junto a uma facção criminosa para coagir trabalhadores e obter vantagens indevidas.

Verificou-se que a Ascam mantinha contratos sem licitação com a Prefeitura de Bauru que ultrapassavam R$ 5 milhões. O Ministério Público identificou exigência de propinas para interferir em certames e liberar recursos à entidade. Interceptações telefônicas apontaram envolvimento de secretários municipais e executivos de empresas, motivando duas fases anteriores da operação e a prisão de sete suspeitos.

A Operação Cavalo de Troia investiga, sobretudo, um esquema de fraude em licitação para concessão do serviço de gestão de resíduos sólidos por três décadas. Conforme as autoridades, o grupo tentava direcionar regras do edital a favor da Estre Ambiental, valendo-se de agentes infiltrados na Prefeitura. Entre eles, a então secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, ligada pessoalmente ao CEO da empresa, Hamilton Libório Agle, o que permitia a produção interna de documentos oficiais.

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