Grace Bell, uma britânica que nasceu sem útero, deu à luz um bebê saudável em Londres após receber o órgão de uma doadora falecida. Ela se tornou a primeira pessoa no Reino Unido a gerar um filho depois de passar por esse tipo de transplante dentro de um programa de pesquisa, iniciado com a cirurgia realizada em 2023.
O procedimento faz parte do Estudo Investigativo do Reino Unido sobre Transplante de Útero (INSITU), programa que prevê a realização de dez transplantes utilizando órgãos provenientes de doadoras falecidas. O caso de Grace é o primeiro resultado clínico do estudo.
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A condição que levou a britânica a precisar do transplante atinge cerca de uma em cada 5 mil mulheres no Reino Unido. Essas pacientes nascem sem um útero funcional e, por isso, não conseguem passar por uma gestação.
O útero recebido por Grace pertencia a uma mulher falecida. A família já havia autorizado a doação de outros órgãos e também concordou especificamente com a utilização do útero no estudo. Esse consentimento é necessário porque o órgão não integra o registro convencional de doadores do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS).
A cirurgia para transplantar o útero durou pouco menos de sete horas. Após o procedimento, Grace passou por fertilização in vitro e, posteriormente, pela transferência de um embrião em uma clínica de fertilidade de Londres. A gravidez foi acompanhada por equipes médicas especializadas até o nascimento do bebê.
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O programa é resultado de aproximadamente 25 anos de pesquisas sobre o transplante uterino. A técnica continua sendo considerada experimental, apesar de já existirem registros de nascimentos após procedimentos semelhantes em outros países.
De acordo com os pesquisadores, o transplante é atualmente a única abordagem médica que permite que mulheres sem útero possam passar pela gestação e dar à luz, além de outras possibilidades para formar uma família, como adoção e barriga de aluguel.
A cirurgiã Isabel Quiroga, co-líder da pesquisa, destacou o resultado alcançado com o procedimento. “Este é um marco importantíssimo, que dá mais esperança às mulheres que não têm útero e desejam formar uma família. Este é o único tratamento que lhes permite gestar e dar à luz o próprio filho, oferecendo mais uma opção além da adoção ou da barriga de aluguel”, declarou.



