O engenheiro australiano Paul Conyngham recorreu à inteligência artificial para tentar salvar sua cachorra, Rosie, diagnosticada com um câncer agressivo em 2024. Após os tratamentos convencionais não conseguirem controlar a doença, ele utilizou o ChatGPT para buscar alternativas e, com a colaboração de pesquisadores da University of New South Wales, participou do desenvolvimento de uma vacina personalizada de mRNA que conseguiu reduzir significativamente a maioria dos tumores do animal.
Sem formação na área médica, mas com experiência em engenharia elétrica e computação, Conyngham decidiu investigar outras possibilidades de tratamento. Com auxílio do ChatGPT, elaborou um plano que o levou a considerar a imunoterapia e a procurar o Ramaciotti Centre for Genomics, onde financiou o sequenciamento genético do tumor de Rosie.
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A partir dos resultados, o engenheiro utilizou ferramentas de inteligência artificial para analisar as informações genéticas. Entre elas estava o AlphaFold, tecnologia do Google que o ajudou a identificar proteínas mutadas que poderiam ser utilizadas como alvos terapêuticos.
Durante a pesquisa, uma opção de imunoterapia foi considerada promissora, mas a farmacêutica responsável não disponibilizou o medicamento. A alternativa surgiu com a participação do químico Pall Thordarson, que desenvolveu uma vacina personalizada baseada em RNA mensageiro em menos de dois meses. “Esta é a primeira vez que uma vacina personalizada contra o câncer foi desenvolvida para um cachorro”, afirmou Thordarson ao jornal The Australian.
Rosie recebeu a primeira aplicação em dezembro e a segunda em fevereiro. Após o início do tratamento, a maioria dos tumores apresentou uma redução significativa, embora alguns não tenham respondido à vacina.
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A melhora também foi percebida no comportamento da cadela. Segundo Conyngham, antes da terapia, Rosie apresentava pouca disposição devido à doença. Aproximadamente seis semanas depois de começar o tratamento, ela recuperou parte da energia e chegou a correr atrás de um coelho durante um passeio no parque.
Apesar dos resultados, a vacina ainda não representa uma cura para Rosie. Em uma publicação na rede social X, Thordarson destacou que alguns tumores permanecem e que a resposta ao tratamento não foi uniforme.
O pesquisador também afirmou que a experiência demonstra o potencial da tecnologia para democratizar o desenvolvimento de vacinas personalizadas contra o câncer. No caso de Rosie, a combinação entre inteligência artificial, análise genética e pesquisa científica possibilitou uma alternativa de tratamento após as tentativas convencionais não conseguirem conter a doença.



