O sistema de pagamentos instantâneos Pix se tornou um dos principais alvos da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil. Em relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o governo norte-americano propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e argumentou que o modelo adotado pelo Banco Central cria vantagens consideradas injustas para concorrentes estrangeiros.
Segundo o documento, o Banco Central exerceria simultaneamente os papéis de regulador e operador do sistema, o que, na visão dos Estados Unidos, geraria um ambiente de competição desigual para empresas internacionais de meios de pagamento. O relatório afirma que o Pix recebeu tratamento preferencial e teria reduzido o espaço de atuação de plataformas privadas, especialmente companhias americanas do setor financeiro.
Apesar das críticas, os próprios autores do relatório reconhecem o sucesso da ferramenta brasileira. O texto destaca que o Pix foi adotado rapidamente pela população, reduziu custos de transações financeiras e ampliou o acesso de milhões de brasileiros aos serviços bancários. Ainda assim, a avaliação americana sustenta que a estrutura centralizada do sistema favoreceria um operador estatal em detrimento de concorrentes privados.
++ Site sobre “aliens” criado pelo governo Trump vira alvo de polêmica nos EUA
Além do Pix, a investigação também questiona outros temas relacionados à política econômica e regulatória brasileira. Entre eles estão decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, políticas tarifárias consideradas preferenciais para determinados parceiros comerciais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.
A proposta de sobretaxação ainda não entrou em vigor. O processo seguirá para uma fase de consultas públicas e audiências nos Estados Unidos antes de uma decisão final do presidente Donald Trump. A primeira audiência está prevista para julho, e empresas, entidades e cidadãos poderão apresentar manifestações sobre o tema.
O relatório também prevê exceções para determinados produtos brasileiros considerados estratégicos para o mercado norte-americano. Entre os itens que podem escapar da tarifa estão algumas categorias de carnes, frutas, café, materiais informativos e doações humanitárias, cuja taxação poderia gerar risco de desabastecimento nos Estados Unidos.
++ Governo vê risco para Pix após EUA classificarem PCC e CV como grupos terroristas
Caso a medida seja aprovada, ela poderá representar um novo capítulo nas disputas comerciais entre Brasil e Estados Unidos, colocando o Pix — um dos maiores símbolos da transformação digital do sistema financeiro brasileiro — no centro de uma discussão que vai muito além dos meios de pagamento.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



