Para muitos tutores, dormir ao lado do cachorro ou do gato faz parte da rotina e representa um momento de afeto e conexão. Mas, segundo pesquisas recentes, esse hábito pode ter efeitos contraditórios: ao mesmo tempo em que proporciona conforto emocional, também pode comprometer a qualidade do sono.
Um levantamento da Academia Americana de Medicina do Sono mostrou que cerca de 46% dos donos de animais de estimação compartilham a cama com seus pets. O comportamento reflete uma mudança na forma como cães e gatos são vistos atualmente, cada vez mais tratados como membros da família e presentes em diversos momentos da vida cotidiana.
De acordo com a pesquisadora Renata Roma, da University of Saskatchewan, o principal benefício está relacionado à sensação de segurança. Como o sono é um momento de vulnerabilidade, a presença de um animal próximo pode reduzir a ansiedade e aumentar o bem-estar emocional.
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Diversos participantes de estudos relatam sentir que descansam melhor quando dormem ao lado de seus animais. O simples fato de acordar com o pet por perto costuma gerar sentimentos positivos, contribuindo para a percepção de uma noite bem dormida.
No entanto, quando os cientistas analisam o sono por meio de equipamentos capazes de registrar movimentos e despertares noturnos, os resultados contam uma história diferente. As medições mostram que o descanso tende a ser mais fragmentado quando há um animal compartilhando a cama.
Em muitos casos, as interrupções ocorrem devido aos próprios movimentos dos pets durante a noite. Os pesquisadores observaram uma espécie de sincronização entre tutor e animal, em que a movimentação de um influencia diretamente o sono do outro.
Os impactos também variam conforme a espécie. Estudos indicam que cães costumam provocar mais perturbações do que gatos. Uma das hipóteses é que os cachorros sejam mais sensíveis a estímulos externos, como barulhos vindos da rua, latidos ou outros sons do ambiente.
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Embora uma noite ocasional de sono interrompido não represente um grande problema, especialistas alertam que a má qualidade do descanso ao longo do tempo pode afetar o humor, a concentração, a tolerância ao estresse e até a saúde mental.
Por isso, os pesquisadores defendem que a discussão não deve ser tratada como uma escolha entre certo ou errado. Para algumas pessoas, os benefícios emocionais de dormir com o pet podem compensar eventuais interrupções no sono. Para outras, um descanso mais contínuo pode ser prioridade.
A conclusão dos estudos é que a decisão depende das necessidades individuais de cada tutor. Mais do que determinar se o hábito é benéfico ou prejudicial, a questão central passa a ser avaliar qual aspecto tem mais peso: o conforto emocional proporcionado pela companhia do animal ou a busca por uma noite de sono sem interrupções.
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