O avanço das mudanças climáticas pode comprometer seriamente a produção global de arroz nas próximas décadas, segundo um novo estudo que alerta para os limites de adaptação da planta ao aumento das temperaturas no planeta.
A pesquisa indica que o aquecimento global ocorre em uma velocidade cerca de 5 mil vezes maior do que o ritmo histórico de evolução do arroz ao longo de aproximadamente 9 mil anos de domesticação pela humanidade.
O estudo foi divulgado na revista científica Communications Earth & Environment e analisou dados climáticos associados ao cultivo do arroz desde períodos antigos da agricultura.
Segundo os pesquisadores, a planta pode estar se aproximando de um “limite térmico”, ponto em que temperaturas mais elevadas passam a dificultar significativamente sua sobrevivência e produtividade.
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O principal autor do trabalho, Nicolas Gauthier, afirmou que a capacidade humana de adaptação ainda pode amenizar parte dos impactos, mas destacou que algumas regiões produtoras já enfrentam condições próximas do limite suportado pela cultura.
O arroz é considerado alimento básico para mais da metade da população mundial, e cerca de 90% da produção global está concentrada na Ásia.
Embora seja uma planta adaptada a ambientes quentes, o arroz apresenta restrições biológicas importantes. A fotossíntese praticamente para em temperaturas próximas dos 40 °C, enquanto o calor excessivo também prejudica o desenvolvimento dos grãos e reduz a fertilidade do pólen.
Além das altas temperaturas, as mudanças nos regimes de chuva e seca representam outro desafio para as lavouras. O estudo alerta ainda que a elevação do nível do mar ameaça arrozais instalados em regiões costeiras baixas, vulneráveis à invasão de água salgada.
Para entender como a cultura reagiu ao clima ao longo da história, os cientistas analisaram sítios arqueológicos com evidências antigas de cultivo de arroz. A pesquisa concluiu que a planta conseguiu expandir-se historicamente para regiões frias graças ao desenvolvimento de variedades resistentes e à adaptação das práticas agrícolas humanas.
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Por outro lado, o limite máximo de temperatura suportado pelo arroz praticamente não mudou desde o início de sua domesticação.
Segundo os dados apresentados, o cultivo historicamente permaneceu concentrado em áreas com temperatura média anual abaixo de 28 °C e máximas médias da estação quente inferiores a 33 °C.
Os pesquisadores avaliam que algumas regiões atualmente frias demais poderão se tornar adequadas ao cultivo no futuro. Ainda assim, eles alertam que transferir plantações para novas áreas seria um processo complexo, caro e socialmente impactante.
Isso porque os arrozais dependem de sistemas de irrigação, infraestrutura agrícola e conhecimentos tradicionais desenvolvidos ao longo de séculos por comunidades rurais.
O estudo destaca que, mesmo que a produção global consiga ser redistribuída geograficamente, milhões de pessoas no Sul da Ásia podem enfrentar consequências severas, já que o arroz representa a principal base alimentar e econômica da região.
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