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quarta-feira, novembro 4, 2026

Democratas conquistam maioria no Senado e retomam o controle do Congresso dos EUA

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Projeções indicaram que os democratas conquistaram a maioria no Senado dos EUA e venceram também a Câmara, em revés para Donald Trump. (Foto: Instagram)

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos impuseram derrotas importantes a Donald Trump e devem encerrar o controle republicano do Senado. Segundo projeções da CBS News, a vitória de Josh Turek em Iowa levou os democratas a 51 cadeiras, número suficiente para garantir a maioria. Até as 5h de Brasília desta quarta-feira (04/11), o partido havia assegurado ao menos 54 das 100 vagas. A CBS também projetou uma vitória democrata na Câmara dos Representantes.

Com o controle das duas Casas a partir de janeiro, os democratas poderão avançar projetos, contestar a agenda presidencial, abrir investigações sobre integrantes do governo e barrar indicações de Trump ao Judiciário. Entre as disputas mais acompanhadas estavam sete corridas ao Senado, nos Estados do Alasca, Maine, Texas, Michigan, Iowa, Kansas e Ohio. Cinco viradas democratas foram projetadas: James Talarico, no Texas; Sherrod Brown, em Ohio; Adam Hamilton, no Kansas; Josh Turek, em Iowa; e Troy Jackson, no Maine. Também foram apontadas vitórias na Carolina do Norte e na Carolina do Sul. A vitória de Annie Andrews nesta última foi uma das surpresas da noite. Alasca e Michigan ainda não tinham resultado definido, mas a maioria democrata estava assegurada.

No Texas, James Talarico encerrou décadas sem vitórias democratas nas eleições para o Senado e venceu Ken Paxton em uma das corridas mais caras da história para o cargo. Ex-professor e estudante de um seminário presbiteriano, Talarico disputou em um ambiente desfavorável aos republicanos, marcado por questões estaduais e pela controvérsia em torno de Paxton. Em 2023, a Câmara estadual, controlada pelos republicanos, aprovou o impeachment do candidato por suspeitas de corrupção, suborno e abuso de poder. Ele negou as acusações e foi absolvido pelo Senado estadual. Paxton também recebeu mais de US$ 170 milhões em recursos do magnata Elon Musk e atacou as posições de Talarico sobre temas como imigração, segurança pública e energia. O resultado reforçou a possibilidade de o Estado ser competitivo para os democratas em 2028.

Em Iowa, Josh Turek, de 47 anos, deve derrotar a republicana Ashley Hinson, ex-apresentadora de telejornal. Nascido com espinha bífida, ele passou por diversas cirurgias e representou os Estados Unidos no basquete em cadeira de rodas em quatro edições dos Jogos Paralímpicos, conquistando duas medalhas de ouro. A campanha debateu agricultura, tarifas e Trump. Hinson apoiava as políticas tarifárias mais amplas do presidente, mas divergiu dele sobre carne bovina e pediu o fim da guerra com o Irã. Turek afirmou que as tarifas provocaram um “apocalipse agrícola” e que a guerra elevou os custos de combustível e fertilizantes. Sua vitória também encerrou um longo período sem conquistas democratas em eleições federais no Estado.

No Kansas, Adam Hamilton derrotou, segundo as projeções, o senador republicano Roger Marshall. O resultado interrompe 94 anos sem que o Estado elegesse um democrata para o Senado; a última vez foi em 1932. Marshall, de 66 anos, trabalhou por 25 anos como obstetra e realizou cerca de 5 mil partos. Hamilton, de 62, fundou uma igreja que se tornou o centro da maior congregação metodista unida dos Estados Unidos. Enquanto Marshall se alinhou a Trump e se apresentou como defensor dos agricultores, Hamilton enfatizou a redução do custo de vida e a assistência médica. A disputa foi vista como possível alerta para os republicanos.

Em Ohio, Sherrod Brown venceu Jon Husted e recuperou a cadeira para os democratas, dois anos depois de perder a reeleição para Bernie Moreno. Brown, de 73 anos, representou o Estado no Congresso por mais de três décadas e é conhecido por defender os trabalhadores. Husted, de 59, chegou ao Senado em 2025, após J.D. Vance assumir a vice-presidência, e concorria ao restante do mandato. As tarifas e seus impactos nos setores manufatureiro e automobilístico estiveram no centro da campanha.

No Maine, Troy Jackson venceu Susan Collins, segundo projeção da CBS News. Collins ocupava a cadeira havia quase 30 anos, e o resultado representou outra virada para os democratas.

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