
Ortografia, acentuação, pontuação e concordância estão entre os aspectos avaliados na redação do Enem, na Competência 1, que vale até 200 pontos. (Foto: Instagram)
A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve ter introdução, desenvolvimento e conclusão. Entre os aspectos avaliados para definir a nota, que pode chegar a 1.000 pontos, está a ortografia, parte da gramática que trata da escrita correta das palavras. Ela é considerada na Competência 1, que mede o domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa e vale até 200 pontos. Também são avaliadas nessa competência a acentuação, as regras gramaticais e a construção sintática, segundo Fernanda Becker, analista pedagógica da plataforma Redação Nota 1000.
Os descontos dependem da quantidade e do tipo de desvio. Conforme explica a professora, uma falha simples, que não prejudique a estrutura sintática, pode não reduzir a nota. Já uma frase confusa pode indicar problemas na construção do texto. Em geral, um desvio isolado não desconta pontos, mas, quando há mais de três, a nota pode cair. Quanto maior o número de ocorrências, maior pode ser o desconto.
Entre os erros frequentes estão as diferentes formas dos porquês — “por que”, “por quê”, “porque” e “porquê” —, que têm usos específicos. Também é preciso atenção aos dígrafos, junções de duas letras que representam um único som. Em “nascer”, por exemplo, “sc” corresponde a um som; às vezes, estudantes escrevem apenas “s” ou “ç”. Outra dificuldade é distinguir palavras com a mesma sonoridade, mas grafia e significado diferentes, como “acender”, no sentido de produzir fogo, e “ascender”, que significa subir ou avançar de cargo.
A acentuação incorreta ou ausente, inclusive na sílaba errada, também pode comprometer o texto. Becker destaca ainda o uso do hífen, que pode causar confusão por ser um recurso da língua escrita, e a caligrafia. Letras pouco legíveis podem fazer com que um “o” pareça “a” ou um “e” pareça “i”, o que também pode ser considerado desvio ortográfico.
Para quem fará o Enem 2026, a orientação é observar o registro formal da Língua Portuguesa. Segundo Fernanda, hábitos da oralidade, das redes sociais e das mensagens podem aparecer na prova. Uma forma de reduzir os erros é escolher as palavras com atenção e, em caso de dúvida, consultar o caderno de questões ou substituir o termo por um sinônimo.
A leitura frequente ajuda a ampliar o repertório e a familiaridade com a grafia correta. A prática de redação e o uso de ferramentas de correção inteligente também podem ajudar a identificar palavras escritas incorretamente. A professora ressalta, porém, que essas ferramentas servem como referência: no dia da prova, o texto será escrito à mão.
Além da ortografia, o professor Chandy Pereira, ex-corretor de redação do Enem, aponta problemas recorrentes com vírgula, crase e concordância, associados a lacunas na formação gramatical. Ele observa que alguns estudantes usam a vírgula para marcar pausas de respiração, o que pode levar a erros de pontuação. Pereira também cita a translineação — a separação incorreta de palavras entre linhas — como sinal de pouca prática com a escrita tradicional.
As provas do Enem 2026 serão realizadas em dois domingos consecutivos, 8 e 15 de novembro. O exame terá 180 questões objetivas e uma redação. No primeiro dia, 8/11, serão 45 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, 45 de Ciências Humanas e suas Tecnologias e a redação dissertativo-argumentativa. A aplicação vai das 13h30 às 19h. No segundo dia, 15/11, haverá 45 questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e 45 de Matemática e suas Tecnologias, das 13h30 às 18h30. Nos dois dias, os portões abrem às 12h e fecham às 13h, no horário de Brasília.



