A estudante Stella Zorzo, de 17 anos, natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, concluiu a graduação em Biomedicina, cursa o terceiro ano de Medicina e faz uma pós-graduação em Neurociência. Diagnosticada com altas habilidades e alto QI ainda na adolescência, a jovem conseguiu avançar cinco anos escolares em menos de um ano e ingressou no ensino superior aos 14 anos. Agora, prepara a documentação para tentar registrar sua trajetória no RankBrasil e no Guinness Book.
Com médias superiores a 90 nas duas graduações, Stella pode se tornar a pessoa mais jovem do Brasil a concluir o curso de Biomedicina, caso o recorde seja reconhecido. Antes de chegar à universidade, porém, ela enfrentou dificuldades na escola, incluindo episódios de bullying e a falta de identificação com os colegas. “Até os 12 anos, para mim, eu era estranha. Depois eu fui descobrir que tinha superdotação. Eu sofri bastante bullying, porque tinha muitas coisas que eu pensava diferente, falava diferente, e o pessoal não entendia. Eu também não”, contou à Crescer.
Os primeiros sinais apareceram quando Stella tinha entre nove e dez anos. Mesmo estudando pouco, conseguia resultados superiores aos dos colegas nas avaliações. A situação chamou a atenção da família, mas a investigação sobre suas habilidades aconteceu posteriormente. “No oitavo ano, eu tinha muita facilidade, mas comecei a ficar muito entediada com as aulas, porque o conteúdo era muito repetitivo e eu já sabia tudo. Foi aí que a minha mãe perguntou se eu não tinha alguma coisa”, relatou.
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Encaminhada para uma avaliação neuropsicológica, Stella recebeu o diagnóstico de altas habilidades e alto QI. A partir dos resultados, a família e a escola decidiram organizar um processo para que ela pudesse avançar nos estudos. “Foram oitavo, nono, primeiro, segundo e terceiro, todos em um ano. Entre agosto de 2022 e o finalzinho de 2023. Tirando as férias, foram uns oito, nove meses no total, e eu fiz muitas provas”, explicou.
Para avançar, a estudante precisava realizar as avaliações correspondentes a cada série. Segundo ela, a instituição não possuía um procedimento específico para situações semelhantes, e o modelo desenvolvido passou a ser utilizado por outros alunos com superdotação.
A mudança permitiu que Stella ingressasse na faculdade aos 14 anos, passando a conviver com estudantes mais velhos. Apesar da diferença de idade, ela afirma que conseguiu se adaptar ao ambiente universitário. “Eu tinha 12, 13 anos no oitavo e pulei para o segundo, então meus colegas tinham 17. No começo, foi um pouco complicado pela diferença de idade, mas eu sabia me comunicar bem. Com 14 anos eu já entrei na faculdade, e meus amigos tinham 22, 23, 26 anos”, contou.
Atualmente, Stella busca conciliar a formação em Medicina com os conhecimentos adquiridos na Biomedicina. Seu interesse está voltado principalmente à pesquisa científica e à saúde mental. “Eu sempre achei que medicina e biomedicina se complementam. A biomedicina vai complementar a medicina, o conhecimento fica mais abrangente, e eu sempre busco desafio. É algo que eu vou conseguir trabalhar no futuro, principalmente em pesquisa”, afirmou.
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Entre suas atividades acadêmicas, está um trabalho aprovado no XIV Congresso de Pesquisa e Extensão da FSG, no qual abordou a relação entre o metabolismo do triptofano e condições como ansiedade e depressão.
A estudante também foi aprovada na Mensa, organização internacional voltada a pessoas com alto QI. Além de falar vários idiomas e tocar piano, violino e flauta, possui medalhas em competições esportivas e na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).
Na área médica, participou da primeira etapa da Olimpíada Nacional de Medicina de 2026 (OMED), cuja segunda fase está prevista para 28 de novembro, em São Paulo.
Fora da universidade, Stella participa de iniciativas sociais desde os dez anos. Entre as atividades mencionadas por ela estão o auxílio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, em 2025, e debates sobre proteção às mulheres e combate ao bullying no Senado Federal e na Assembleia Legislativa gaúcha.
Apesar das conquistas acadêmicas, a jovem afirma que não considera suas habilidades superiores às de outras pessoas. “Eu não me considero melhor do que ninguém, porque, para mim, são só histórias diferentes e gostos diferentes. Além de ser superdotado, tem que gostar também. Todas as pessoas têm as suas próprias habilidades e as suas próprias histórias”, declarou.
Para o futuro, Stella pretende trabalhar com saúde mental e políticas públicas, buscando desenvolver iniciativas que possam beneficiar um número maior de pessoas. “Com certeza, vou seguir para a saúde mental, porque gosto da pesquisa nessa área, mas também gosto de políticas públicas. Às vezes, a gente pensa em atender no consultório, e a gente precisa de muito médico no consultório, mas e se eu criasse um protocolo? Será que eu não estaria ajudando várias pessoas ao mesmo tempo?“, questionou.
Ao falar sobre a identificação de altas habilidades, a estudante também chamou a atenção para a importância de observar o comportamento das crianças e buscar uma avaliação especializada quando necessário. “A superdotação não é óbvia. Não é só ‘meu filho é bom em matemática, logo é superdotado’. Ela pode ser para o esporte, para a leitura, para a arte. A minha dica é prestar atenção nas pequenas diferenças e fazer o teste, porque ele não é o diagnóstico de uma doença, é o diagnóstico de uma condição. E quanto mais cedo descobrir, melhor”, orientou.



