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quinta-feira, outubro 29, 2026

Após anos de bullying por marca de nascença, mulher passa por cinco cirurgias e muda de vida

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Kiana Smith, de 39 anos, passou por cinco cirurgias e tratamentos especializados a laser para reduzir uma marca de nascença que cobre parte de seu rosto, pescoço e peito. Natural de Cumana, em Trinidad, ela nasceu com uma condição conhecida como mancha vinho do Porto, caracterizada por uma alteração na coloração da pele. Após enfrentar episódios de bullying durante a infância e a adolescência, ela contou à Barcroft TV como os procedimentos médicos melhoraram sua qualidade de vida e sua relação com a própria aparência.

A marca, de coloração arroxeada, ocupa principalmente o lado esquerdo do rosto. Com o passar dos anos, a região apresentou alterações que provocaram aumento de volume e desconforto físico. Segundo Kiana, os tratamentos ajudaram a reduzir o peso que sentia na face e trouxeram melhorias para sua fala. “As cirurgias na minha marca de nascença ajudaram muito. Não tenho mais aquele volume no rosto. Eu descreveria como ter um bife enorme, com cerca de 2,5 centímetros de espessura, cujo peso fica pendurado no seu rosto”, explicou.

Além do incômodo provocado pelo volume, ela relatou que conseguia sentir a circulação sanguínea na região afetada. “Às vezes, eu sentia o sangue correndo e pulsando na minha marca de nascença. Mas não tenho mais isso. Consigo falar muito melhor, o que é fantástico”, afirmou.

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A condição de Kiana é uma malformação dos vasos sanguíneos da pele, responsável pelo surgimento de manchas que podem variar entre tons avermelhados e arroxeados. Conhecidas como manchas vinho do Porto, essas alterações estão presentes desde o nascimento e atingem aproximadamente três em cada mil crianças.

Diferentemente de algumas marcas de nascença que desaparecem com o crescimento, as manchas vinho do Porto costumam permanecer ao longo da vida. Em determinados casos, podem acompanhar o desenvolvimento da pessoa e apresentar mudanças na textura e na espessura da pele com o passar dos anos.

Apesar dos resultados obtidos com os procedimentos, Kiana explicou que a marca não desaparecerá completamente. Com o tempo, ela passou a lidar de outra maneira com essa característica e decidiu que não queria permitir que sua aparência determinasse suas escolhas. “É algo que sempre estará ali, sempre crescendo. A marca de nascença nunca vai desaparecer. Agora eu aceitei isso. Não quero que minha vida inteira fique concentrada no fato de eu ter uma marca de nascença. Não quero que isso me impeça de aproveitar a vida”, declarou.

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O processo de aceitação, entretanto, foi acompanhado por experiências difíceis desde a adolescência. Durante os anos escolares, Kiana recebeu apelidos ofensivos relacionados à coloração e ao formato de seu rosto. Entre eles estavam expressões como “rosto de ameixa”, “rosto roxo” e “devoradora roxa de pessoas”. “Acho que foi quando entrei no ensino médio que realmente comecei a ter meus primeiros problemas de confiança. Me chamavam de ‘rosto de ameixa’, ‘rosto roxo’, e um dos apelidos mais populares era ‘devoradora roxa de pessoas’”, relembrou.

Mesmo depois de adulta, ela afirmou que ainda enfrenta situações desconfortáveis devido à reação de desconhecidos. Os olhares constantes fazem parte de sua rotina, e Kiana contou que algumas interações com crianças também foram difíceis. “As pessoas sempre ficam me olhando quando saio de casa. Também sinto que já passei por situações difíceis com crianças. Sabe, muitas vezes elas se assustam, gritam, choram e tudo mais, e eu me sinto muito mal porque sou a causa da reação delas”, relatou.

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Durante a infância, o apoio da mãe, Ann McCarthy, atualmente com 62 anos, foi importante para que Kiana enfrentasse os comentários sobre sua aparência. Segundo ela, a maneira como era tratada dentro de casa ajudou a lidar com as dificuldades encontradas fora do ambiente familiar. “Mas minha mãe realmente me ajudou a lidar com isso, me tratando como qualquer outra criança”, contou.

Ann também falou sobre as mudanças que percebeu na filha ao longo dos anos. Para ela, as experiências relacionadas à marca de nascença tiveram um impacto maior quando Kiana era mais jovem. “Não acho que isso a afete tanto agora, como adulta, quanto afetava quando ela era muito mais nova. Ela consegue viver em sociedade como um ser humano, como qualquer pessoa”, afirmou.

A mãe explicou que sempre procurou ensinar à filha que sua aparência não deveria definir quem ela é. “Sempre tentei enfatizar para ela que o que importa é o que está dentro de você, não sua aparência externa. Não consigo expressar em palavras o quanto tenho orgulho dela”, declarou.

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