Nathaniel Schumann, um menino autista que passou grande parte da infância com dificuldades para se comunicar verbalmente, começou a formar frases completas aos 8 anos após participar de um estudo clínico com leucovorina, um medicamento derivado do ácido fólico. Atualmente com 13 anos, ele vive no Arizona, nos Estados Unidos, e sua mãe, Kathleen Schnier, de 54 anos, contou que o filho passou a expressar lembranças e reclamações de situações que havia vivido durante os anos em que quase não conseguia falar.
Em entrevista ao jornal New York Post, Kathleen relatou que Nathaniel começou a mencionar episódios antigos, incluindo refeições das quais não gostou, sobremesas que não pôde comer e desentendimentos com a irmã mais velha. Segundo ela, o comportamento mostrou que o menino compreendia muito mais do que as pessoas imaginavam. “Ele tinha uma lista enorme de tudo o que o havia incomodado ao longo dos anos. Ele estava guardando absolutamente tudo. As pessoas não o incluíam nas conversas ou simplesmente presumiam que ele não estava entendendo. Mas estava tudo lá”, contou a mãe.
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As dificuldades de Nathaniel começaram nos primeiros anos de vida. Embora inicialmente interagisse com as pessoas e apresentasse desenvolvimento da comunicação, ele passou a perder habilidades verbais. Aos 17 meses, começou a receber acompanhamento com profissionais de fonoaudiologia, desenvolvimento infantil e terapia ocupacional.
Aos 2 anos, o menino conseguia repetir palavras ditas por outras pessoas ou utilizar expressões isoladas para comunicar necessidades básicas. Um ano depois, recebeu os diagnósticos de autismo, transtorno de linguagem receptiva e expressiva e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). “Você nunca conseguia conversar com ele. Essa era a coisa mais horrível como mãe: saber que você não consegue conversar com seu próprio filho ou que alguém poderia machucá-lo e ele não conseguiria contar”, relatou Kathleen.
Mesmo com as terapias, a família continuou procurando alternativas que pudessem ajudar Nathaniel. Em 2021, Kathleen encontrou informações sobre um estudo clínico conduzido pelo neurologista pediátrico Richard Frye, que investigava os possíveis efeitos da leucovorina em crianças autistas com deficiência cerebral de folato.
O medicamento é uma forma de folato, relacionado à vitamina B9, e já era utilizado na medicina para outras finalidades. A pesquisa buscava avaliar se ele poderia ajudar crianças com dificuldades de comunicação associadas a alterações no transporte dessa substância para o cérebro.
Após exames identificarem anticorpos relacionados ao transporte de folato e deficiência cerebral da substância, Nathaniel foi incluído no estudo realizado no Phoenix Children’s Hospital, próximo à residência da família.
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Segundo Kathleen, as mudanças na comunicação do filho começaram a aparecer depois do início do tratamento. “Quando ele começou a tomar leucovorina, foi como se alguma coisa tivesse se encaixado. Ele passou de uma ou duas palavras para frases completas em seis meses”, afirmou.
Com o desenvolvimento da fala, Nathaniel também conseguiu explicar à mãe como percebia seus próprios pensamentos. “A televisão no meu cérebro, eu consigo dizer com a minha boca”, disse o menino, segundo o relato de Kathleen.
A mãe ressaltou, porém, que a medicação não foi a única responsável pelo desenvolvimento do filho. Nathaniel já participava de diferentes terapias desde os 17 meses, e o acompanhamento fonoaudiológico continuou sendo necessário para que aprendesse a manter conversas. “De repente, ele tinha a capacidade de falar, mas precisava aprender como fazer isso. Quando você conversa com uma pessoa, precisa fazer perguntas e ouvi-la. Não pode ser apenas sobre o que você quer falar o tempo todo, e ele consegue fazer isso agora, mas não foi a leucovorina que fez isso por ele. Foi a terapia fonoaudiológica”, explicou.
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Atualmente, Nathaniel participa de atividades musicais e esportivas. Ele faz aulas de violão e trompete, integra o Phoenix Children’s Chorus e já cantou o hino nacional durante uma partida do Arizona Diamondbacks.
O adolescente também pratica golfe nas Olimpíadas Especiais, participa de uma equipe de natação e está se preparando para obter uma certificação de mergulho. Recentemente, viajou sozinho para Nova York para visitar a irmã. Ao falar sobre o futuro, Nathaniel revelou um de seus planos. “Quero ser sorveteiro”, contou ao jornal.
Apesar dos avanços apresentados pelo filho, Kathleen ressaltou que a leucovorina não produz os mesmos resultados em todas as crianças. Segundo ela, outros participantes do estudo não tiveram melhoras semelhantes. “Esta não é uma pílula mágica. Você ainda vai precisar se esforçar muito, e pode não funcionar. Definitivamente, é vantajoso para Nathaniel tomar esse medicamento, mas não acho que seja um remédio maravilhoso para todo mundo”, afirmou.
A mãe também manifestou preocupação com a possibilidade de a atenção dedicada à medicação reduzir a importância dos serviços de acompanhamento oferecidos às crianças com deficiência. “Não quero que as pessoas pensem: ‘Ah, vamos cortar os serviços para crianças com deficiência, mas aqui está uma pílula’. Se você vai trabalhar para apoiar a comunidade de pessoas com deficiência, precisa abrir todas as possibilidades para elas. E então verá aqueles resultados incríveis que vê com Nathaniel”, declarou.



