
Nunes Marques afirmou que a extensão do horário de votação no segundo turno trouxe desafios operacionais, incluindo o acúmulo de boletins de urna e a necessidade de reforçar a segurança. (Foto: Instagram)
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, declarou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de estender o horário de votação no segundo turno, em 25 de outubro, trouxe dificuldades ao pleito. Determinada pelo ministro Cristiano Zanin às 17h01, a medida adiou o fechamento das urnas das 17h para as 19h.
Como a decisão saiu após as 17h, milhares de urnas já tinham sido encerradas e não podiam ser reabertas por causa de sua programação. Nunes Marques afirmou que foi necessário bloquear o recebimento dos Boletins de Urna para impedir que as informações fossem acessadas antes do momento adequado, inclusive pelo próprio TSE. Com isso, formou-se a maior fila de boletins já registrada, e houve dúvidas sobre a capacidade de armazenar tantos dados. Segundo ele, a situação poderia ter comprometido a eleição brasileira.
O presidente do TSE disse que os sistemas e os procedimentos de apuração precisaram ser reorganizados e que também houve tensão nas seções eleitorais, exigindo reforço na segurança de servidores e mesários. Apesar da instabilidade no fim da votação, a atuação dos técnicos permitiu que a apuração avançasse. Das 499.248 urnas usadas no segundo turno, 1.551 foram substituídas, o equivalente a 0,31%. Observadores nacionais e internacionais acompanharam etapas do processo, incluindo votação, auditoria e fiscalização.
Em pronunciamento na sede do TSE, em Brasília, Nunes Marques informou que a abstenção foi de 19,20%, abaixo dos cerca de 21,28% registrados no primeiro turno. Ele destacou o resultado diante das alegações de que os eleitores teriam dificuldade para votar. Disse também que há mais de 95 mil locais de votação distribuídos para facilitar o acesso e reduzir deslocamentos. A capilaridade da Justiça Eleitoral, afirmou, é uma garantia importante de participação democrática, sobretudo em grandes cidades e áreas rurais.
O ministro relatou que, por volta das 15h30, ao receber o pedido de prorrogação, buscou informações técnicas com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, prefeituras e equipes do TSE. Segundo ele, não havia norma que autorizasse a extensão e nunca ocorrera prorrogação do horário na história do tribunal. Em 2023, o STF determinou que o poder público oferecesse transporte gratuito no dia da eleição e proibiu a redução do transporte coletivo pelos municípios. Nunes Marques disse ter orientado os tribunais regionais, nos dois turnos, a fiscalizar a oferta do serviço e afirmou que eventuais insuficiências serão apuradas.
Ele também apontou alto grau de judicialização: foram 2.265 processos relativos às eleições de 2026, entre eles 827 representações e 446 pedidos de direito de resposta. A declaração ocorreu após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Nunes Marques afirmou que o volume de ações afeta o tempo de resposta e defendeu aperfeiçoar procedimentos para dar mais celeridade sem comprometer as garantias do devido processo legal. Ele não respondeu a perguntas de jornalistas e estava acompanhado pelo presidente do STF, Edson Fachin, e pelos ministros André Mendonça e Dias Toffoli, além de integrantes do TSE.



