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segunda-feira, outubro 26, 2026

Eleições 2026: O que esperar do governo Lula em meio à crise no STF?

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Eleições 2026 (Foto: Element5 Digital / Unsplash)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo, 25, e seguirá para seu quarto mandato. Mesmo com a vitória de virada no segundo turno, o resultado não garante um período tranquilo. O petista terá de lidar com um Congresso mais inclinado à direita, articular-se em um cenário de enfraquecimento do centrão e acompanhar a crise que atravessa o Supremo Tribunal Federal.

Para Flávia Bozza, cientista política da ESPM, o presidente pode sair vitorioso das urnas sem, necessariamente, conquistar força suficiente para governar com facilidade. Segundo ela, presidentes sem maioria parlamentar enfrentam obstáculos para conduzir seus governos. Em alguns casos, procuram aproximar sua agenda do centro do Congresso para reduzir a necessidade de concessões, mas Bozza observa que esse não foi o cenário do atual governo de Lula e pode continuar no próximo, dependendo do tamanho das bancadas eleitas.

A falta de apoio congressual, explica a cientista política, deixa um presidente mais vulnerável e pode obrigá-lo a aceitar concessões que, em outras circunstâncias, não faria. Por isso, apesar da reeleição, a expectativa é de que governar seja difícil. Bozza avalia também que a nova composição do Congresso afeta especialmente o centrão, e não a esquerda: na leitura dela, a direita, sobretudo a extrema direita, incorporou partidos desse bloco, que ainda pretendem participar do governo.

A capacidade de conciliação de Lula pode influenciar a condução de seu quarto mandato, acrescenta Bozza. Ela considera que essa característica deve aparecer na forma de governar e destaca também a preocupação com o legado que o presidente deixará. As articulações políticas, portanto, ocorrerão em um ambiente no qual o governo precisará buscar apoio e administrar as mudanças no Congresso.

Sérgio Simoni Jr., professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), avalia que esses fatores podem tornar o próximo mandato mais difícil do que o atual, no qual Lula já enfrentou problemas de governabilidade. Para Simoni, o presidente tem hoje menos influência e poder do que teve no passado para liderar as decisões. Ainda assim, ressalta, o Executivo continua sendo mais poderoso do que os demais atores, embora tenha perdido força em comparação com períodos anteriores.

A crise no Supremo também deve continuar, segundo Simoni. Na avaliação do professor, o governo Lula tentará reduzir as tensões, mas deverá fazê-lo em meio ao desgaste do tema e com dificuldades. Outro desafio será a sucessão de Lula. Como a disputa pela escolha de um sucessor costuma provocar conflitos internos nos partidos quando o tema permanece em aberto, o PT e seus aliados terão de administrar divergências e procurar diminuí-las para que não prejudiquem o governo.

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