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quinta-feira, outubro 22, 2026

Homem recebe e-mail inesperado e acaba doando um rim para uma completa desconhecida

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Aos 70 anos, Paul Hawthorne, morador de Stratford-upon-Avon, na Inglaterra, decidiu doar um de seus rins a uma mulher que nunca conheceu. A cirurgia aconteceu em 2024, no Hospital Queen Elizabeth, em Birmingham, e fez parte de uma cadeia de transplantes que beneficiou outros pacientes. A decisão foi motivada pela memória de sua esposa, Claire, que morreu de câncer de mama dez anos antes e dedicou parte da vida a ajudar mulheres que enfrentavam a doença.

Em entrevista ao jornal britânico Metro, Paul contou que sabe poucas informações sobre a pessoa que recebeu seu órgão. Ele foi informado de que a receptora mora no sul da Inglaterra e de que o procedimento foi bem-sucedido, mas os dois nunca tiveram contato. “Sei que a pessoa que recebeu meu rim é uma mulher que mora no sul da Inglaterra e, o mais importante, que o transplante foi bem-sucedido. Mas isso é tudo”, afirmou.

Segundo ele, não conhecer a receptora não diminui a importância da decisão. Paul explicou que muitas pessoas transplantadas preferem preservar a privacidade depois do procedimento. “Na verdade, é muito normal não querer conhecer seu doador. Receber um rim é muito mais traumático do que doar um”, disse.

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A ideia de se tornar doador surgiu depois que Paul recebeu um e-mail do banco de sangue onde já fazia doações regularmente. A mensagem perguntava se ele havia considerado a possibilidade de doar um órgão em vida. A curiosidade o levou a buscar mais informações e iniciar os exames necessários. “Sou uma pessoa curiosa, então, quando percebi, já estava preenchendo formulários e indo ao hospital para fazer uma avaliação”, contou.

Embora tenha iniciado o processo sem grandes hesitações, Paul passou a refletir sobre as consequências da cirurgia depois de conversar com a nora, que trabalha como enfermeira. Ela questionou o que aconteceria se algum de seus netos precisasse de um rim no futuro.

“Ela me fez parar e pensar no que eu estava fazendo. E se um dos meus netos precisar de um rim no futuro? No fim, pensei: ‘Se eu não fizer isso agora, nunca farei’. Eu poderia passar a vida inteira me perguntando”, relatou.

A decisão também tinha uma relação direta com a história de Claire. Durante o tratamento contra o câncer de mama, ela participou de grupos de apoio e eventos beneficentes para ajudar outras mulheres diagnosticadas com a doença.

“Minha esposa, Claire, foi uma grande inspiração. Ela morreu há dez anos de câncer de mama. Durante a doença, ajudou muitas outras mulheres com câncer, por meio de grupos de apoio e eventos beneficentes. Ela era uma pessoa muito generosa. Eu queria fazer algo bom em sua memória”, explicou.

O momento decisivo aconteceu quando Paul descobriu que sua doação poderia permitir a realização de outros transplantes. Isso porque, em determinados casos, familiares dispostos a doar um rim não são compatíveis com o paciente que desejam ajudar. Por meio de uma cadeia de doações, os órgãos podem ser destinados a diferentes receptores compatíveis. “Foi quando descobri que minha doação daria início a uma cadeia de doações. Assim, haveria um efeito em sequência de boas ações”, afirmou.

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No dia da cirurgia, outras seis operações renais estavam sendo realizadas, envolvendo três doadores e três receptores. Segundo Paul, sua participação como doador altruísta tornou possível a realização dessa sequência de transplantes.

Durante a internação, ele conversou com um homem de 80 anos que fazia diálise e aguardava havia anos por um órgão compatível. O paciente relatou as limitações que o tratamento impunha à sua rotina, incluindo restrições alimentares e dificuldades para viajar e visitar familiares.

A conversa fez Paul compreender melhor o impacto que a doação poderia ter na vida de quem aguardava um transplante. “Aquilo realmente me impressionou. Cheguei a chorar um pouco”, admitiu.

Antes da cirurgia, o britânico passou por exames de sangue, avaliações psicológicas e procedimentos para verificar o funcionamento dos rins. Uma das etapas envolveu a aplicação de uma substância radioativa utilizada na análise da função renal.

Os resultados indicaram que ele estava apto a realizar a doação. Mesmo quando os médicos reforçaram que poderia desistir a qualquer momento, Paul manteve sua decisão. “Sou motociclista de Harley-Davidson. Isso é mais perigoso do que qualquer coisa que vocês vão fazer comigo!”, brincou com a equipe médica.

O rim esquerdo foi escolhido para o transplante por ser mais acessível aos cirurgiões. Depois da operação, Paul permaneceu afastado do trabalho por aproximadamente dez semanas. Profissional da construção civil, ele contou que a recuperação ocorreu sem grandes complicações e que o mais difícil foi lidar com o período de inatividade.

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Nesse intervalo, recebeu o apoio de familiares e amigos, especialmente dos integrantes do grupo de motociclistas Harley Owners Group, de Birmingham. Os colegas chegaram a homenageá-lo com um prêmio por sua contribuição à humanidade. “Eles são um grupo de motociclistas barbudos, com corações enormes, que me apoiaram muito. Deram-me um prêmio por contribuição extraordinária à humanidade. E eu fiquei em lágrimas!”, contou.

Ao recordar a experiência, Paul afirmou que inicialmente não pensava na doação como um gesto capaz de salvar uma vida. Sua percepção mudou depois de uma conversa com o filho mais novo, Nathen. “No começo, eu não pensava dessa forma, mas então meu filho mais novo, Nathen, me disse: ‘Você não está mudando apenas a vida de uma pessoa, pai, mas também a de toda a família dela’”.

Mesmo sem conhecer a mulher que recebeu seu rim, Paul sabe que o transplante foi realizado com sucesso. Para ele, a experiência também representou uma maneira de manter viva a memória da esposa, cuja dedicação a outras pessoas inspirou sua decisão.

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