18.9 C
São Paulo
segunda-feira, outubro 19, 2026

Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre corrupção e segurança no 1º debate

Leia mais


Lula e Flávio Bolsonaro em intenso confronto no primeiro debate do segundo turno de 2026 (Foto: Instagram)

No domingo (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram no primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, promovido pelo Grupo Bandeirantes. A troca de ataques durou mais de uma hora e meia, em meio a interrupções e provocações pessoais, exatamente uma semana antes da votação marcada para 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro iniciou citando as três investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suposta corrupção. Lula rebateu lembrando que os casos estão sob análise judicial e cobrou explicações sobre a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o pedido de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro. O petista ainda afirmou que Eduardo Bolsonaro “fugiu para os EUA para conspirar contra o Brasil”.

O senador, por sua vez, acusou o governo federal de omissão diante das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), enquanto Lula garantiu que o esquema foi identificado e combatido. Em tom de ironia, Flávio perguntou por que 75% dos presos votariam em Lula. O presidente respondeu que aceitaria até o voto de Jair Bolsonaro: “Eu gostaria que 100% deles votassem em mim. Aceito o seu pai também”.

A segurança pública foi o tema mais explorado por Flávio, que prometeu guerra ao narcotráfico, enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, endurecimento de penas, redução da maioridade penal e medidas mais rígidas contra crimes violentos. Lula defendeu atuação conjunta entre União, estados e municípios, citou a Lei Antifação e propôs ampliar a repressão a grupos que controlam territórios e aos envolvidos em esquemas financeiros.

No campo econômico, Lula reforçou a continuidade de políticas de inclusão e geração de empregos, com foco em pequenos negócios, inovação, economia digital, verde e criativa, afirmando que o crescimento econômico e a circulação de renda são essenciais para reduzir o endividamento. Flávio criticou a dívida pública, a alta dos juros e o custo dos alimentos, prometeu cortes de gastos, medidas para ajudar famílias endividadas e reorganizar as contas públicas.

O debate também abordou cenário internacional, saúde, trabalho e produtividade. Lula questionou se o adversário seguiria o modelo de Javier Milei na Argentina e criticou a proximidade de Flávio com o governo dos EUA, citando riscos à exploração de terras raras. Flávio defendeu maior cooperação internacional e apresentou propostas de prontuário eletrônico unificado, telemedicina e inteligência artificial no SUS. Sobre jornada de trabalho, manteve a escala 6×1 após diálogo com trabalhadores.

Nas considerações finais, Lula pediu a continuidade de seu governo para recuperar a indústria, promover o crescimento econômico e fortalecer estatais. Flávio comprometeu-se a apresentar apenas propostas exequíveis, reafirmou prioridade na segurança pública e conclamou eleitores a votar no segundo turno. Pesquisas Datafolha e Quaest indicam Flávio à frente numericamente, mas dentro da margem de erro; no primeiro turno, ele obteve cerca de 2,2 milhões de votos a mais. O próximo debate será na sexta-feira (23), dois dias antes da eleição.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias