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terça-feira, outubro 20, 2026

Por que o STF foi deixado de lado por Flávio Bolsonaro e Lula no debate, avaliam especialistas

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Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro durante o debate na Band em 18 de outubro de 2026 (Foto: Instagram)

Na primeira discussão em segundo turno promovida pela Band, em 18 de outubro de 2026, chamou a atenção dos analistas a total ausência de referências diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master, que dominou boa parte do debate político nas últimas semanas, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentraram-se em acusações mútuas, deixando de fora críticas ou defesas explícitas sobre a Corte.

João Ricardo Matta, doutor em Marketing e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), considera curioso que o STF não tenha sido sequer mencionado. Segundo ele, “era esperado que Flávio Bolsonaro se posicionasse com vigor contra a Corte, mas isso não ocorreu”. Matta sugere que a omissão pode indicar uma estratégia do senador para sinalizar uma possível pacificação com o Supremo em caso de vitória.

A professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart, também observou o descompasso entre as acusações genéricas contra ministros e a falta de debates mais aprofundados sobre as suspeitas em curso. Para ela, ao agrupar diversas críticas – incluindo as referentes aos indicados por Bolsonaro, como Kassio Nunes Marques – os candidatos optaram por abordar escândalos de forma difusa, sem citar nominalmente o STF.

Embora a Corte não tenha sido alvo direto no debate, o caso Banco Master foi citado quando Lula questionou Flávio sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição. Apesar disso, o senador se esquivou de críticas ao ministro Alexandre de Moraes, que surge como figura central na investigação. A Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro mensagens trocadas com Moraes e um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado, o que gerou crise interna no STF.

Outro episódio que ganhou repercussão fora do debate envolve o ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro ao STF e atual presidente do TSE. Reportagem da revista Piauí revelou que Vorcaro teria organizado uma “noitada” de Carnaval de 2025 em um tríplex de São Paulo para Marques, com despesas de aproximadamente R$ 27 mil. O ministro negou ter proximidade com Vorcaro ou ter autorizado qualquer intermediação, afirmando que não se responsabiliza por atos de terceiros.

As decisões de Nunes Marques à frente do TSE também foram questionadas pela oposição. Entre elas, a suspensão do canal de WhatsApp “Exército de Lula”, administrado pelo deputado André Janones, sem punir espaço de apoio a Flávio Bolsonaro, levantando suspeitas de tratamento desigual. Especialistas dizem que tais críticas se misturam a debates jurídicos sobre prerrogativas eleitorais.

Por fim, as especulações sobre uma articulação política ganharam força após o ex-presidente Michel Temer (MDB) declarar apoio a Flávio Bolsonaro em 5 de outubro. Integrantes do PT avaliam que o gesto poderia ter como contrapartida um compromisso de evitar processos de impeachment contra Alexandre de Moraes, indicado por Temer em 2017. Marco Aurélio de Carvalho, advogado e coordenador da campanha de Lula, acredita tratar-se de uma negociação nos bastidores, enquanto a especialista em Direito Constitucional Vera Chemim aponta para uma tentativa de reduzir tensões entre o bolsonarismo e o STF.

No debate, Lula mencionou que, após 25 de outubro, quando Flávio perderá a imunidade parlamentar, passará a enfrentar “muitos inquéritos” que agora “vão andar”, referindo-se indiretamente a investigações envolvendo o adversário e ao ministro André Mendonça. Apesar dessas alusões, o encontro não aprofundou as suspeitas contra os ministros ou as possíveis pautas de pacificação com o Supremo, mantendo o foco em ataques pessoais e retóricas de campanha.

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